O Mahar, o amigo Mahar, o
idealizador e dono do blog Maharpress, se foi. Mas seu trabalho continua como
se o blog tivesse piloto automático. O verdadeiro, os dos aviões, que os mantém
voando sustentando velocidade aerodinâmica, rumo e altitude enquanto houver
combustível, e não o piloto automático que em santa ignorância muitos
fabricantes e muitos jornalistas automobilísticos dizem os carros ter, pois
mantém tão-somente velocidade, uma impropriedade — sacrilégio? — que o Mahar jamais
diria. Não diria não por entender de automóvel, mas por entender o automóvel.
Não me lembro quando conheci o
Mahar exatamente, mas imagino que tenha sido lá pelo início dos anos 1970, na
nossa cidade, o Rio, ele jovem mas já adulto, eu 8~9 anos à frente.
Imediatamente percebi que estávamos na mesma frequência, estávamos
sintonizados. E como isso é difícil! Onde tinha gasolina e borracha, lá
estávamos. Ou ele aparecia na minha concessionária VW em Botafogo. Aparecia de
carro ou de moto. E tome papo. Impressionava-me sua cultura automobilística.
O Maharpress é a cara do Mahar.
E tem piloto automático, sim. Vai continuar. Mesmo sendo monomotor. Ao
contrário do meu, o AUTOentusiastas, que é um site quadrimotor com 14 motores
auxiliares sob as asas. O monomotor Maharpress haverá de encontrar alguém que
assuma o posto de comando para só então desligar o piloto automático.
Tenho certeza de que é isso o
que ele mais pensava nesses seus últimos anos de tanto sofrimento e que de
certo modo o atormentava. Se eu me for,
será que o Maharpress acaba?
Não, Mahar, não vai acabar, não.
Onde quer que você esteja agora, já livre do fardo físico que tanto o fez
sofrer, vai ver que o seu Maharpress continuará em voo. Mesmo com outro piloto,
que apesar de nunca poder ter o seu estilo de ver e escrever as coisas, que é
único, saberá se empenhar para que o Maharpress continue a ter o seu jeito.
Quanto mais com você continuando a mandar sinais de rádio para a cabeça dele. Ou
dela.
Requiescat in pace, amigo Mahar.
Bob Sharp
