domingo, 1 de maio de 2016

OPIMIÃO BORIS FELDMZN

A eletrônica e o Zé Marcha-ré

A eletrônica incorporada ao carro dá margem a inúmeras desonestidades. Uma delas é o hodômetro, marcador de quilometragem num painel dentro do velocímetro. Antes, ele era mecânico, com os dígitos girando em pequenos tambores. Para “reduzir” a quilometragem, haviam os “especialistas” que voltavam, em segundos, de 95.000 para 32.500 km. Era o “Zé marcha-ré”. Hoje, o hodômetro é digital, funciona eletronicamente e muitos acham que ficou praticamente impossível adulterar a quilometragem rodada pelo carro. É isso mesmo?
É e não é...
A operação de “rejuvenescer” o carro reduzindo  o hodômetro continua tão simples no eletrônico como era antigamente no mecânico. Mas, com uma fundamental diferença: antes, a redução da quilometragem não deixava rastros. Só era possível descobrir a fraude pelo registro de revisões no manual, aquele carimbo da concessionária da revisão tendo sido realizada aos 40 mil km e, dois anos depois, o hodômetro marcando 25 mil km...ou o adesivo de troca de óleo no parabrisa: “Próxima troca aos 70 mil km”, o dobro da quilometragem marcada.
Nos carros mais modernos, o hodômetro eletrônico está integrado à central eletrônica que registra todo o seu histórico. Os problemas ocorridos, as revisões realizadas e também a quilometragem rodada. Então, a loja desonesta pode chamar o “Zé marcha-ré” para executar a gambiarra e reduzir a quilometragem, mas o número real continua registrado na central. Quem estiver adquirindo o carro poderá ser enganado, mas a realidade surge assim que o carro estiver na oficina e ligado ao computador. Ou seja, no passado, era impossível descobrir a fraude. Hoje, dá para pegar o desonesto com a boca na botija e, por isso, as lojas estão evitando a maracutaia...

    OS FREIOS

    segunda-feira, 25 de abril de 2016

    OPINIÃO COM BORIS FELDMAN


    DELAÇÃO PREMIADA

    NADA MAIS PRÁTICO que o adesivo (com chip) colado no parabrisa que evita de se parar no pedágio e outras cancelas, do tipo “Sem Parar”. Uma antena nas proximidade
    s do carro lê o chip e debita o valor na conta do dono do veículo.

    O governo brasileiro teve a boa ideia de implantar o mesmo sistema para identificar todos os veículos eletronicamente. Ideia tão boa que, em se tratando da coisa pública brasileira, dificilmente vai vingar...

    O GOVERNO FEDERAL começou a discutir o assunto em 2006. Batizado de Siniav (Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos), a primeira data imaginada para ser implementado foi julho de 2012. Mas, por problemas técnicos, seria obrigatório apenas a partir de janeiro de 2014. Adiada mais duas vezes, 1º de janeiro deste ano foi a última data marcada pelo Contran (resolução 537/2015), mas nenhuma providência foi tomada em âmbito federal (governo e montadoras) nem estadual (Detran) e continua no papel.

    O CHIP (OU TAG) NO parabrisa funcionaria como uma placa eletrônica e custaria pouco mais de R$20. Contem todas as informações relativas ao veículo: proprietário, placa, marca, cor, ano de fabricação, número de motor e chassis, etc. O governo instalaria antenas leitoras do chip nas cidades e estradas que se comunicariam com centrais de processamento e sistemas computadorizados. Ao passar por uma delas, o carro seria identificado e, caso fosse roubado, existisse multa pendente ou outra irregularidade, seria parado numa blitz ou posto policial à frente. Uma espécie de “delação premiada” veicular rodoviária...

    ALÉM DISSO, NO TRÂNSITO urbano ou em vias congestionadas, o sistema identificaria um grande volume de veículos num trecho e poderia interferir na sinalização semafórica para reorientar e aliviar o trânsito. O chip permitiria também que o carro fosse flagrado por excesso de velocidade: bastaria fazer as contas do tempo percorrido entre duas antenas.

    EM 1º DE JANEIRO deste ano os veículos zero km sairiam de fábrica com o chip. Os carros usados teriam prazo de um ano para recebê-lo no parabrisa. Entretanto, as fábricas de automóveis ainda não foram avisadas deste dispositivo obrigatório. Os Detrans também não sabem como (e quando) proceder para fazer cumprir a exigência no caso dos veículos usados.

    UM DOS PROBLEMAS do Siniav é ter sido confundido com o Simrav, sistema eletrônico ainda mais sofisticado pois é um rastreador do veículo e forneceria também sua localização real por GPS, facilitando a apreensão de carros roubados. Mas foi barrado pelo Ministério Público, que o considerou um caso de invasão de propriedade. Ele argumenta que seria um autêntico Big Brother(do filme 1984) a vigiar o comportamento do cidadão pelo Estado.

    EM OUTROS PAÍSES, existem sistemas idênticos ao Siniav contratados pelo dono do carro para ser monitorado por empresas privadas. Na Europa, a legislação prevê que os automóveis zero km serão obrigados a instalar um dispositivo semelhante para que sejam localizados em caso de emergência. Mas, algumas entidades europeias de proteção aos direitos individuais tentam derrubar a medida.

    NO BRASIL, HÁ QUEM diga que, mesmo com a proibição do GPS, as antenas identificariam os carros e teriam conhecimento de seu percurso, cabendo novamente a tese da invasão de privacidade.

    SEJA LÁ COMO for, um grande volume de automóveis já roda com chip e rastreador. Além disso, a tecnologia no carro autônomo (que está chegando...) permite que seja monitorado para receber a orientação de seu percurso. Ou seja, já estarão prontos para o Siniav ou Simrav...