segunda-feira, 21 de julho de 2014

DE CARRO POR AÍ COM O NASSER

Coluna 2614 26.junho.2014 edita@rnasser.com.br
Do bom Encontro de Antigos em Araxá
Encerrado o XXI Encontro Nacional de Veículos Antigos, adequadamente realizado no arquitetonicamente imponente Grande Hotel de Araxá, MG, a dúvida sobre a concorrência com outro evento em Águas de Lindóia, SP, dissipou-se. Araxá, como usualmente chamado, mostrou sua fórmula correta: veículos de qualidade; esforço para apresentar novidades; público qualificado; leilão de antigos. Dos veículos relevantes, Ferrari 212 Barchetta, restaurada no Ferrari Classiche, departamento desta fábrica para cuidar dos antigos; Bugatti 1938 carroceria Grangloff Stelvio; Alfa Romeo 2500 carroceria Boneschi, de 1950; Cadillac V16, 1939 e, curioso e raro Cadillac 1958, sedã 4 portas sem coluna, versão Brougham, teto em aço escovado, de aparência incrivelmente leve sobre a carroceria com linhas bolhosas e excessos típicos do final dos anos ’50.

Ferrari 212 Barchetta

Alfa Romeo 2500 Boneschi

Vista do evento

Curiosidades: 1 - Troféu Fabio Steinbruch, oferecido pelo Alfa Romeo Club não a proprietário da marca, mas ao renomado pumista Caiko Botelho; 2 – Organização reverenciou jornalistas Teresa Gago e Atos Fagundes pelo dedicado trabalho no setor; 3 – Colecionador Eduardo Azevedo apresentou seu recém concluído Reggia, chassi em treliça, carroceria em fibra, linhas inspiradas nas barchettas dos anos ’50, primoroso exemplar único; 4 - Histórias surgiram: uns viram correr, outros sabiam de exemplar com o primo do motorista do amigo do diretor ..., vizinho possuiu mas vendeu a peso após acidente em Interlagos, estas coisas do país que não lê; 5 – Merecidíssima a homenagem ao Horácio, o Fusca 1974 com casal Erwin e Flávia Moretti. Poucos promovem a marca e a união antigomobilista como eles; 6 – Hispano Suiza 1911, pioneiro na pioneira Coleção Lee, reapareceu oferecido pela herdeira ao Museu que se instala na cidade de Caçapava. Desaparecido há 20 anos exibia sua aura; 7 – Impecável, marcante visual e auditivamente os 100 cilindros de Ferrari, milhares de equinos, em desfile próprio pela passarela; 8 - Leilão, corajosa iniciativa agora sedimentada, deixou claro ser lugar para veículos de maior preço. Os nacionais, baratos, tinham lances pequenos, demorados, cansativos; 9 - E exibiu vício conhecido de lances desmesuradamente elevados, porém não aceitos pelos vendedores, deixando a dúvida se pretendiam apenas ser referência para negócios futuros – ou para conversas de happy hour... 10 – Carlos Quintana, lojista argentino, presente com livros e emblemas. Vale a pena ? perguntei, para ouvir que em antigomobilismo valem as vendas do momento e o conhecimento para negócios futuros. Sábio; 11 – Colecionador Oswaldo Borges da Costa, um dos criadores do Encontro, ausente ao último, reapareceu em grande estilo, faturou três prêmios com Rolls-Royce Sedanca De Ville 1934; Peugeot 1908; e o Troféu Roberto Lee com o Bugatti Stelvio 1938; 12 – Mesmo lacrado pela Justiça para inviabilizar-se, o Museu Nacional do Automóvel, de Brasília, mantém-se ativo: levou uma treliça da Fórmula Brasil, última remanescente da iniciativa de Chico Landi e Toni Bianco, sua última descoberta; 13 – E foi premiado com Alfa Romeo 2300 de 1974, o chassi 00001, marcando os 40 anos do início da produção deste veículo.

Um convidado curioso
No incontável público na cerimônia de canonização do Papa João Paulo II, um será, pelo menos, insólito. É automóvel polonês FSO modelo Warszawa –Varsóvia -, fabricado em 1958.
Como tudo envolvendo a então União Soviética e seus países satélites, tem a marca da superação, o defasar em estilo, motorização, construção. Quando ainda com o nome civil Karol Wojtyla, o então Bispo da Cracóvia comprou o automóvel, mantendo-o em serviço por vinte anos, até ser ungido condutor da Igreja Católica. Então, servido por Mercedes novos, vendeu-o a seu motorista.
Há dois anos o superado e gasto automóvel mudou de padrão, ao ser adquirido por colecionador alemão, assumindo sua origem. Restaurado, irá à festa.

Tralha
Sabe aquela frase em adesivo usualmente colocado nos automóveis nacionais de coleção,“Não ria. Seu pai teve um”?Pois é. Por pouco não foi produzido no Brasil. Ao tempo da implantação da indústria automotiva no Brasil, com poucos incentivos, porém reserva de mercado e a perspectiva de inquantificada porém projetadamente grande clientela, muitos fabricantes se habilitaram a produzir aqui. A polonesa FSO, iniciando fazer o Warszawa, foi uma delas. Não veio.
O produto era o carro do Bispo Wojtyla, de origem projeto russo de automóvel, o Pobeda –Vitória – criado na estatal GAZ, cedido à subjugada Polônia pelo ditador Joseph Stalin. Inspiração norte americana pré II Guerra, pesado, lento, motor de 4 cilindros, comando e válvulas no bloco de ferro, 2.0 e 50 hp.

Ainda bem que seu pai não teve um deles.

Warszawa ex Papa

Roda-a-Roda
Tentativa – Na Argentina novo plano para reativar vendas de carros feitos lá, caídas em 30%: desconto pelos fabricantes, entre 3 e 13%, e financiamento pelo estatal Banco de La Nación Argentina, 10% de entrada, 60 pagamentos, juros de 17% a.a., inferior à inflação de balcão.
Limites – Validade de três meses, teto em 120 mil pesos – só para a gama baixa, Renault Clio, Chevrolet Classic, Fiat Novo Palio Essence. Após, a carros brasileiros. Valor da prestação limitada 30% da renda do interessado.
Copa –Tentando empurrar produção e vendas do Clio, em via de substituição, Renault Argentina e seus concessionários oferecem durante os jogos da Argentina na Copa do Mundo, descontos sensíveis para a versão Confort Plus, 5 portas. De 116.500 pesos, a 98.120. Resultados iniciais pequenos.
Simpatia – Mercado difícil, ano com vendas menores em 30% que 2013, vale tudo para vender carros novos na Argentina. Volkswagen ao lançar o up! usou o brinde de bicicleta dobrável Think Blue para atrair aos primeiros 500 compradores. O mimo é alemão e não existe no mercado brasileiro.
Tempo – Chinesa National Electric, dona da sueca SAAB, sustou a produção destes competentes automóveis. Micou o caixa.
Pesquisa –JD Power, conhecida empresa de pesquisas automobilísticas, pelo 28º. ano levantou índices de satisfação de compradores de carros novos até três anos de uso nos EUA. Porsche lidera, Jaguar em segundo, empurrando Lexus, marca Toyota para ser irretocável em qualidade, ao 3º. lugar.
Aqui– Pesquisa no Brasil deu empate entre Hyundais e Toyotas. Curiosidade, os coreanos os importados pela representante CAOA, no mercado a Hyundai do B, estão à frente dos Hyundai HB 20 aqui produzidos pela Hyundai original.
Festa– Ford comemora 111 anos fazendo filme nos continentes onde produz, para demonstrar válida a verdade do fundador Henry Ford com o seu Modelo T, chamado The Universal Car, primeiro a ser montado e exportado mundo a fora. Hoje, em 24 horas, os 183.000 funcionários da empresa produzem mais de 17.300 veículos. Quer ver ?https://www.youtube.com/watch?v=DRyrlYObhdY
Governo ?– No desvario criativo da economia nacional, governo federal quer aumentar a 27,5% volume de álcool adicionado à gasolina. É para diminuir importação deste combustível, e gasto de divisas na desequilibrada balança comercial.
E ?– Pode servir a muitos, exceto proprietário de veículo, pois quanto maior a quantidade de álcool, maior o gasto km/litro. Haverá álcool ? Eleição fomentam a criatividade, vantagens para poucos, desvantagens para muitos.
Motores – Escolha do International Engine of the Year – Motor do Ano – deu resultado insólito: pela terceira vez o mais importante como tecnologia foi o Ford 1.0 Ecoboost, de três cilindros. Segundo, 70 pontos – 20% - atrás, o V8 Ferrari 4,5 litros. Depois, VW 1,4 TSI com turbo e compressor; Mercedes-AMG 2,0 turbo, e elétrico estadunidense Tesla.
Processo – 82 votantes internacionais, 5 do Brasil – o Colunista um deles -, representando 34 países, e foco em tecnologia e aplicação real, futuro. Daí, exceto o Tesla, nenhum dos motores é dos EUA.

Motor Ford 1,0 turbo, Motor do Ano

Situação – Após sofrer vandalismo e grandes perdas por atos de terrorismo, revendas na avenida de acesso ao estádio Mineirão, em Belo Horizonte, blindam os negócios em dias de jogo: painéis metálicos vedando os vidros, ou deposição de containers em torno das lojas.
Justiça – Tribunal de Justiça de Brasília cancelou permissão concedida pela Câmara Distrital, aprovada pelo Governador do DF, aos taxis cobrar Bandeira 2 durante a Copa do Mundo. O Ministério Público do DF arguiu a incoerência da medida, um saque contra o consumidor e desestímulo ao uso dos taxis em período de grandes libações. Ano eleitoral é fogo. Faz até Legislativo e Executivo voltar-se contra o público.
Mercado – Para exibir-se no mercado norte americano, Mitsubishi desenvolveu carro especial para a subida no Pikes Peak, montanha no Colorado, 19 km, 156 curvas. Elétricos, quatro motores, 603 cv, tração integral.
Razão – Vencer o PP é relevante no mercado norte americano. A Mitsubishi faz o elétrico MiEV e vende nos EUA, Europa, Japão. Candidatou-se montá-lo aqui, mas não ouviu facilidades para compensar os maiores custos de produção.
Figuração – A volta de honra nas 24 Horas de Nurburgring, a demolidora prova alemã de resistência, teve dois Bugatti 16.4 Grand Sport Vitesse a liderar os 175 participantes. O super carro francês, com 1.200 cv, tem o recorde mundial para carros esporte de produção: 408,84 km/h de velocidade final.
Escada – Brasiliense Felipe Nasr, disputando a temporada de GP2 é segundo após excepcional performance no circuito de Spielberg, onde assumiu a liderança, fez a volta mais rápida, e venceu. Sobe a escada para a Fórmula 1.
Retífica RN – Leitor Lico Azevedo, antigomobilista e conhecedor do produto e história, sacou rápido e indicou engano na Coluna passada: Bugatti de 1937 exposto no grande Encontro de Araxá, MG, não seria o Tipo 57 Atlantic, com dupla de unidades remanescentes.
Razão – Tem-na. O automóvel exposto usa carroceria Gangloff Stelvio, em aço. A outra é em Elektron, liga de alumínio e magnésio.

Bugatti Stelvio

A Fiat e seus prêmios em Cannes
Sorrisos na Fiat. Os cortes nas verbas de divulgação, em vez do previsível resultado de baixar veiculação e vendas, mostraram resultado inverso: instigaram a criatividade da empresa, e como resultado internacional, faturou cinco prêmios no Cannes Lions 2014, um dos festivais de comunicação mais importantes do mundo.
Na pioneira categoria Inovação, criada ano passado, levou o prêmio pela campanha Vem p’ra Rua, de grande oportunidade, ao ser veiculada junto às inexplicadas manifestações populares e protestos nas ruas. A ideia da empresa, de produtos mais vendidos no mercado durante 12 anos, era demonstrar conhecer as ruas com intimidade.
Outra abordagem direta gerou prêmio, a Fiat Live Store, trocadilho bem achado com Love Story. É projeto único no mundo, ao utilizar tecnologia para conectar clientes a especialistas nos produtos Fiat. O contato é feito em tempo real e de forma interativa. Pelo sítio WWW.fiat.com.br/livestore, ou pelo Facebook o cliente escolhe um modelo, e um especialista usando um fone de ouvido com câmera de alta resolução e microfone, mostra diretamente o que foi pedido pelo consumidor para conformar um carro e tira dúvidas diretamente. O negócio funciona em galpão na fábrica de Betim, montado pela agência Click Isobar.
João Batista Ciaco é o diretor de Publicidade e Marketing de Relacionamento, e as agências premiadas foram Click e Leo Burnett Taylor Made.

Campanha Vem p’ra Rua, vencedora

ALTA RODA COM FERNANDO CALMON


Alta Roda nº 793 — Fernando Calmon — 15/7/14


LÍDERES DO SEMESTRE

Em cenário de comercialização em recuo, marcado pelo fim de produção de modelos como Gol G4 e Uno Mille e chegada do up! e do novo March, os tradicionais dominadores de vendas sofreram abalos. Hatches e sedãs são somados na segmentação da coluna, mas é interessante ver mudanças em curso, quando se analisam os números apenas dos hatches, que são a maioria nas vendas entre os compactos, principal produto do mercado brasileiro.
Antigo Gol G4 representava de 20% a 25% do total do Gol e agora uma liderança de 27 anos está ameaçada. Antes eram dois (G4 mais G5) contra dois (Uno mais Mille) e agora é um (Gol G5) contra dois (Palio mais Fire). No primeiro semestre, Gol já perdeu dois meses isolados de liderança, mas no acumulado a manteve. Já o Mille representava de 40% a 45% do Uno e o abalo foi maior. Da tradicional segunda colocação despencou até seis posições, quando o estoque da antiga versão se esgotou em abril. Uno 2015, em setembro, deve melhorar seu posicionamento.
A coluna também substituiu as peruas (apenas dois modelos de pouco peso) pelo novo segmento de crossovers, liderado pelo Mitsubishi ASX. Grand Siena passou a fazer parte dos sedãs compactos “desgarrados”, a exemplo de Cobalt e City. Chrysler 300 C (passou para o segmento topo por suas dimensões avantajadas), Classe E/CLS e Fit são os novos líderes. Os demais mantiveram-se na ponta.
Classificação a seguir segmenta a oferta por distância entre eixos, largura e, secundariamente, preço. A base é o percentual de emplacamentos nacionais pelo Renavam. Apenas modelos mais representativos são citados em razão da importância no mercado. Paulo Garbossa, da ADK, compilou os dados de acordo com os critérios da coluna.
Compactos: Gol/Voyage, 14%; Onix/Prisma, 11%; Palio/Fire/Siena, 10%; HB20/X/S, 8,5%; Fiesta hatch/sedã, 8,2%; Logan/Sandero, 7%; Uno/Mille, 6%; Fox/CrossFox, 5%; Grand Siena, 4%; Etios hatch/sedã, 3%, Celta, 2,6%; up!, 2,4%; Classic, 2,3%; Cobalt, 2,1%; Punto/Linea, 1,8%; C3/DS3, 1,7%; 207/208, 1,6%; March/Versa, 1,5%; City, 1,2%. Gol/Voyage ameaçados, em especial Gol por Palio/Fire.
Médios-compactos: Civic, 19%; Corolla, 18%; Cruze hatch/sedã, 14%; Focus hatch/sedã, 11%; Golf/Jetta, 9%; Sentra, 4,9%; C4/Pallas/DS4, 4,5%; Peugeot 308/408, 3,8%; i30/Elantra, 3,3%; Fluence, 2,6%; Bravo, 2%. Civic não está firme.
Médios-grandes: Fusion, 41%; BMW 3, 23%; Mercedes C, 12%; Azera, 6%. Fusion continua avançado.
Grandes: Mercedes E/CLS, 32%; BMW 5/6, 26%; Jaguar XF,18%. Classe E/CLS, novo líder.
Topo: Chrysler 300 C, 43%; Equus, 15%; Panamera, 13%. Realocado, 300 C lidera.
Crossover: ASX, 48%, Freemont/Journey, 25%; Ranger Rover Evoque, 24%. ASX tranquilo.
Monovolumes pequenos: Fit, 36%; Spin, 30%; Idea, 17%. Fit reagiu.
Monovolumes médios: C4 Picasso, 36%; J6, 26%; Carnival, 18%. Líder consolidado.
Picapes pequenas: Strada, 59%; Saveiro, 27%; Montana, 14%. Strada ampliou margem.
Picapes médias: S10, 31%; Hilux, 24%; Ranger, 14%. Sem ser ameaçada, S10.
Utilitários esporte compactos: EcoSport, 39%; Duster, 33%; Tracker, 13%. Com menos folga, EcoSport.
Utilitários esporte médios-compactos: Tucson/ix35, 40%; Sportage, 13%; RAV4, 10%. Firmeza dos líderes.
Utilitários esporte médios-grandes: Hilux SW4, 43%; Santa Fe, 14%; Trailblazer, 9%. Livre de incômodos.
Utilitários esporte grandes: Pajero Full/Dakar, 41%; Edge, 19%; Discovery, 11%. Posição inabalada.
Esporte: BMW Z4, 43%; Boxster/Cayman, 24%; 911, 10%. Z4 bem confortável.

RODA VIVA

ARGENTINA ganhou investimento da GM para motores a partir do final de 2016. As unidades de 1,4 litro com injeção direta e turbocompressor (flex para Brasil; gasolina para mercado local e exportação) equiparão o novo Cruze, cuja produção será transferida de São Caetano (SP) para Rosário, na Argentina. Motores de três cilindros estão reservados para Joinville(SC), antecipa a coluna.
NOVO March mostra que a Nissan está decidida a avançar em participação no mercado brasileiro. Na versão de um litro de cilindrada ainda utiliza motor Renault anterior, mas como sua massa total é baixa mostra relativa agilidade. Direção eletroassistida de série e menor diâmetro de giro entre todos os compactos facilitam qualquer manobra. Equipado com motor de 1,6 litro (origem Nissan) apresenta desempenho marcante e equipamentos incomuns nos compactos, entre eles câmera de ré. Incômodo é o excessivo ruído de engrenagens na primeira marcha, observado apenas no motor de maior potência e, portanto, mais caro.
DEBATE promovido pela Liberty Seguros sobre mobilidade urbana em São Paulo mostrou que ativistas querem dar sua contribuição importante, mas sem ao menos perguntar a quem paga a conta pesada de impostos – os automobilistas – se têm algo a dizer. Na Inglaterra, por exemplo, Associação Britânica de Motoristas representa voz ativa na resolução dos problemas das cidades. Já era tempo de se fundar uma associação semelhante no Brasil que certamente contribuiria para cidades melhores sem arroubos anticarro.

O SUPERBUS DE DUBAI


Tem uma pontinha de ironia pensar que o mais moderno ônibus elétrico do mundo tenha sido desenvolvido para uma linha que une Dubai a Abu Dhabi, duas capitais árabes que flutuam sobre o ouro negro...

A idéia foi construir um ônibus que pudesse rodar a 250 km/h entre as duas cidades que distam 120 km uma da outra, encurtando para 30 minutos uma viagem que hoje em dia dura uma hora e meia. O Superbus foi gerado na Universidade de Delft, na Holanda, para unir as cidades de Amsterdã e Groningen, mas o projeto foi abraçado pelos árabes e chegou ao estágio de protótipo. Este já alcançou a velocidade de projeto e, futuramente, seus descendentes vão rodar em uma estrada dedicada que possui cabos magnéticos para dirigir o Superbus quando em velocidade de cruzeiro.



O MAIS RÁPIDO FORD MODELO "A" DO MUNDO...



Existe um prazer secreto, meio sádico, em se criar um carro sonso – algo como aquelas pessoas que escondem sua potência, só se revelando inteiramente em ocasiões especiais.

O Fordinho 1929 que enfeita esta página é um desses santos de pau oco. Sua alma maligna foi caprichosamente camuflada sob a cândida aparência original. A construção chega ao requinte de vestir o motor moderno com uma roupa antiga, e é isso que faz desse carro algo único.

Bolado e executado na Finlândia, o projeto foge ao convencional dos hot rods. Nada de pinturas flamantes, adaptações fáceis ou estupros mecânicos. O que faz esse carro tão especial é o capricho de disfarçar todas as alterações sob a aparência original. Um trabalho de detalhismo quase patológico.

A história da transformação começa nos anos 90, quando um antigo piloto de rali de velocidade – que quer permanecer anônimo – comprou dois velhos Ford na Argentina: um Modelo T e um Modelo A.




segunda-feira, 14 de julho de 2014

ALTA RODA COM FERNANDO CALMON


Alta Roda nº 792 — Fernando Calmon — 8/7/14


FIM DO PATERNALISMO

Resultados ruins em vendas internas, produção e exportação (unidades) ao final deste primeiro semestre refletem economia fraca, inflação alta e insegurança sobre o futuro. Em relação ao primeiro semestre de 2013, os recuos foram de 7,6%, 16,8% e 35,4%, respectivamente. Tombo foi maior do que se previa no final do ano passado, quando especialistas acreditavam que a economia brasileira cresceria em 2014 um pouco além que os 2,5% de 2013. Agora falam em apenas 1% a mais no PIB.
A própria Anfavea refez suas previsões que se mostraram otimistas demais em dezembro último. Graças à manutenção do IPI parcialmente reduzido, anunciada em 1º de julho, os números no fechamento do ano seriam um pouco menos negativos: 5,4%, 10% e 29%, respectivamente. Ou seja, crescimento no segundo semestre (14,3%, 13,2% e 36,9%, na mesma ordem) compensaria em parte o raquítico início de ano.
Engana-se quem pensa que a volta do IPI cheio resolveria graves problemas fiscais do governo. Cada 1 ponto percentual de aumento na alíquota, reflete-se em acréscimo de preço de 1,1%. Cada 1% no preço resulta em vendas 1,6% menores. Multiplicados os fatores, 1% a mais de imposto, na prática, significa 2,5% de queda no mercado. Em números redondos, 4 p.p. do IPI (de 3% atuais para os 7% originais) repassados aos preços, significariam um mergulho de 10% nas vendas e arrecadação final de impostos menor.
O cenário piorou por uma conjugação de fatores. Produção foi duplamente prejudicada: mercado interno e situação na Argentina que recebe quase 80% dos veículos exportados daqui. Muito se comenta que os feriados da Copa do Mundo prejudicaram as vendas. Porém, se o mercado estivesse aquecido, os compradores apenas teriam adiado sua ida às lojas. Carros não faltam, pois há 45 dias de estoque (30% acima do normal), e as concessionárias conseguem emplacar mais de 15.000 veículos/dia útil. No primeiro semestre foram apenas 11.500, em média.
Resta saber as causas da apatia e há várias explicações. A primeira é certa acomodação, depois de nove anos de crescimento firme. Inegável que as pessoas também anteciparam compras e a procura sofre mesmo um abalo. O mercado, no entanto, continua com grande potencial, já que mal chegamos ao índice de 5 habitantes/veículo, pouco abaixo da média mundial, mas distante de México e Argentina, por exemplo.
Financiamento, responsável por dois terços das vendas, ficou mais restrito. Embora a inadimplência seja um complicador impactante sobre os juros, outro problema é menos comentado. Planos artificiais de redução de taxa têm eficácia limitada. Se mudassem as regras de retomada dos bens, hoje lenientes para quem deixa de honrar as prestações, certamente aumentaria a oferta de crédito. Em outros países até o pagador com restrições consegue se financiar, pois afinal o veículo pode ser recuperado em pouco tempo. Simultaneamente, o cliente pontual paga menos juros e ganha prazo. O fim do paternalismo criaria um mercado de crédito bem maior e saudável.
De qualquer forma, este semestre tem potencial de ser melhor que o primeiro também porque haverá pelo menos 14 lançamentos, é ano do Salão do Automóvel e a indústria ainda demonstra fôlego para promoções.

RODA VIVA

Aumentar etanol na gasolina de 25% para 27,5%, em estudo pelo governo, traria mais desvantagens que benefícios. Gasolina padrão tem 22% de etanol e assim se homologam motores para consumo e emissões. Mais interessante a decisão recente de imposto menor para motor flex com relação de consumo entre etanol e gasolina superior a 75%, sem prejuízo da eficiência energética da gasolina. Ainda não se anunciou a nova alíquota.
Anfavea mudará suas estatísticas, inclusive série histórica de 58 anos, para enquadrar SUV como automóvel de passageiros e não mais comercial leve, conforme a legislação tributária. Comerciais leves, além de pequenos caminhões e furgões, serão apenas veículos com caçamba, a exemplo de picapes de qualquer porte com cabine simples, estendida ou dupla.
Grupo Caoa-Hyundai reforça sua estratégia de marketing para inserir com maior ênfase no mercado o SUV de sete lugares Grand Santa Fe. Motor é o mesmo V-6/3,3L/270 cv (gasolina) do Santa Fe, de 5 e 7 lugares. Acabamento e equipamentos semelhantes, porém com espaço interno maior, suspensões um pouco mais macias e tração 4x4. Preço: R$ 173.990. Santa Fe, 7 lugares, custa R$ 12.000 menos.
Mitsubishi Lancer sofreu um pequeno atraso até a entrada em produção nas instalações do Grupo Souza Ramos, em Catalão (GO). Ficou para outubro próximo e início de vendas no final de novembro. É o primeiro automóvel da marca japonesa de produção nacional. Além desse médio-compacto, é possível a produção também de um compacto em 2016.

Correção, na coluna da semana passada. O número total de modelos compactos e subcompactos hoje no mercado brasileiro é de 32, quatro a mais que os 28 informados.

OMEGA 3.0: O SOM DO PASSADO

A FUNDAÇÃO TINHA O 3.0 COM UM ESCAPE DESSES, MUSICAL....AUMENTE O SOM: 6.300 RPM EM 3ª.









MAYBACH ZEPPELIN NA QR EM 1973




Wilhelm Maybach foi um dos engenheiros que colaborou com Gottlieb Daimler na construção de sua fábrica de automóveis, junto com seu filho. Depois de alguns desentendimentos lançou-se sozinho à fabricação de automóveis de grande luxo e alta potência, como esse Zeppelin   brilhantemente analisado por Emilio Camanzi em uma edição da Quatro Rodas de 1973, há quase 40 anos. Dizem que o Emílio ainda tinha até uma vasta cabeleira... O nome do carro era esse por ser o seu motor V-12 de oito litros usado para mover os dirigíveis alemães na época, final dos anos 30, mas os aparelhos eram construídos pela Graf Von Zeppelin, uma outra empresa. O motor V12 doo Zeppelin:


O ocaso desse meio de transporte interessantíssimo aconteceu com um raio que atingiu o LZ 129 Hindenburg quando se preparava para atracar  na base de Lakehurst, perto de Nova York e o gás usado para lhe dar flutuação, o altamente inflamável hidrogênio, tocou fogo no aparelho. Os americanos tinham o hélio, gás inerte, mas não o vendiam aos alemães por questões políticas nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. 

O Hindenburg em chamas, 6 de maio de 1937 (marketoracle.co.uk)

Hoje em dia a Daimler AG, fabricante dos Mercedes-Benz, detentora da marca, fabrica sem muita difusão uma limusine de altíssimo luxo que resgata a marca, com um V-12 de 600 cv...

Esse carro já morou no Brasil por muito tempo, mas se foi em busca de pastagens mais verdes. Uma perda para a nossa história. Clique no texto do Emilio para ampliar: