terça-feira, 16 de setembro de 2014

Aos 30 anos, 'Macho' volta ao batente no Japão - por Jason Vogel

Para celebrar três décadas do lançamento, Toyota retoma a produção do J70


Há carros que, de tão bem projetados e úteis, poderiam ser eternos. Nessa lógica, a Toyota anunciou, na semana passada, que voltará a fabricar no Japão o Land Cruiser Série 70 — modelo que, lá fora, foi o sucessor direto do nosso Bandeirante.

O retorno à linha de produção de Toyota City, em Aichi, é uma forma inusitada de celebrar os 30 anos de lançamento do espartano utilitário. E a marca já adianta que essa nova fornada do veterano Série 70 (também chamado de J70) só vai durar um ano.


Serão 2.400 utilitários e picapes (200 por mês), numa série comemorativa. Depois, a linha será novamente interrompida.

Desconhecido no Brasil, o modelo é um ícone do fora-de-estrada no exterior. Lançado em 1984, saía nas versões utilitário e picape, com entre-eixos longo ou curto.

Utilitário à antiga, o J70 é uma ferramenta de trabalho simples e eficiente. Mais do que isso, mostrou-se praticamente indestrutível.


No Japão, o J70 ficou 20 anos em linha. E ainda hoje o velho 4x4 é muito usado, especialmente em operações de resgate após catástrofes naturais.


A produção do Série 70 foi encerrada na matriz em 2004 e hoje os utilitários com o nome Land Cruiser são pesadões, luxuosos, caros e cheios de eletrônica (vide o Prado vendido no Brasil entre 2003 e 2009).

Após ser retirado de linha no Japão, o J70 continuou a ser fabricado em outros países. Na Venezuela, esses Toyota ganharam o apelido de "Macho" (ou "Machito").


São o principal meio de transporte no interior e também servem à polícia e às forças armadas. Tanto que viraram assunto estratégico: em 2009, o presidente Chávez falou em expropriar a fábrica da Toyota em Cumaná caso a marca não voltasse a fazer um 4x4 rústico e viril como o J70.


Na Colômbia, ainda se pode comprar picapes e utilitários da Série 70 zero-quilômetro. A produção normal também continua na Austrália e na África do Sul.


Os novos J70 feitos no Japão sairão na forma de utilitários com quatro portas ou picapes de cabine dupla. Terão o motor V6 4.0 a gasolina de 231cv usado nos atuais 4x4 da marca, câmbio manual de cinco marchas e tração 4x4. Como atualizações, haverá ABS e airbags.

O visual retrô ganhou retoques na grade, além de faróis e lanternas mais modernos. Um escudinho "30th" alusivo ao aniversário mostra que o carro é da série especial.

No Japão, esse clássico zero-quilômetro sairá pelo equivalente a R$ 77 mil - é mais do que custa o atual Land Cruiser Prado por lá!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O lado Negro da Força

NO Japão de hoje há uma escola de design  e tuning que tem resultado em coisas góticas, como essa Honda Valkyrie 1500. Filha dileta da enooooorme Gold Wing, a Dragon King tem o mesmo motor standard de 1500 cc. É um Flat Six OHC semelhante ao de Porsche, do qual tem o mesmo som maravilhoso de boxer grande. E com seis escapamentos. Rende 100 cavalos a 7400 RPM, com um torque de automóvel: 13,2 quilos a 4.500 RPM.

Parece descomunal, mas pesa só 317 quilos em ordem de marcha. A altura do banco é de 73 cm e com o peso concentrado na parte de inferior da moto o centro de gravidade é baixo. Assim não é uma jaca para andar, como pareceria pelo tamanho. Já andei em uma Wing original e é bem razoável. Mas não é uma motinha de fazer firulas no transito. Ela pede os grandes espaços abertos, as infinita highway, andar até o lugar onde o Sol se põe, uma vida Easy Rider. Só que com esse visual tem que usar uma roupa de Darth Vader:
Milord, your bike is ready... É o lado negro da força em duas rodas.



domingo, 14 de setembro de 2014

A volta do carro que nunca correu - por Jason Vogel

Mercedes restaura 540 K que teve carreira ceifada pela guerra


Nos anos 30, os Mercedes que traziam o sobrenome K (de "Kompressor") eram um símbolo do poder alemão sobre rodas. Vai daí, em 1938, a fábrica decidiu pegar um desses chassis e vesti-lo com carroceria bem aerodinâmica para a época.

A ideia inicial era inscrever esse bólido especial (batizado de 540 K Stromlinien) na corrida Berlim-Roma. Mas a prova foi cancelada pelo início da Segunda Guerra Mundial. O carro acabou sendo usado apenas para testes de pneus da filial alemã da Dunlop e, em 1948, foi aposentado. O alumínio de sua linda (e enorme) carroceria foi reciclado e a mecânica, mandada para a reserva técnica do museu da Mercedes.

Eis que, em 2011, os funcionários do Mercedes-Benz Classic (departamento que preserva a memória da empresa) encontraram o chassi original e decidiram trazê-lo de volta à vida.


A identificação precisa dos restos do 540 K Stromlinien foi possível não só pelo número do chassi, como também pela contagem dos dentes das engrenagens do diferencial — o bólido aerodinâmico trazia uma relação final mais longa, para poder manter uma velocidade de cruzeiro de 170km/h por longos trechos de estrada (sua máxima era de 180km/h).


Apesar de suas fábricas terem sido severamente bombardeadas na Segunda Guerra, a Mercedes-Benz desde sempre se empenhou em manter registros históricos. Daí que foi possível encontrar desenhos técnicos do projeto de 1938 — incluindo um croqui da carroceria em tamanho natural. Seu nome código na fábrica era W29 (enquanto os 540 K "comuns" eram W24).


A restauração (praticamente uma reconstrução) levou dois anos e meio e seguiu técnicas dos anos 30, a começar pela estrutura da carroceria, toda feita com madeira. Depois foi preciso moldar artesanalmente todos os painéis de alumínio. Só nesses trabalhos foram gastas 4.800 horas.


O desenho da carroceria feita em Sindelfingen (de onde saíam os Mercedes especiais) era tremendamente avançado para os anos 30, com silhueta baixa e poucas protuberâncias. Até a tradicional grade de radiador da Mercedes foi trocada por outra mais aerodinâmica.


Na mecânica, só o chassi e o eixo traseiro do carro original foram encontrados. Outras peças vieram da coleção Mercedes. O resto teve que ser feito.


O motor vinha dos 540 K de série: oito cilindros em linha, 5,4 litros e potência na casa dos 180cv graças ao sopro vital de um compressor Roots


Como é de praxe no Mercedes-Benz Classic, o motor e a transmissão do 540 K foram restaurados para funcionar como novos — afinal, os carros do acervo são muitos usados em demonstrações e eventos.


O cuidado na reconstrução chegou a detalhes mínimos: o tom exato da pintura prateada foi encontrado em resquícios da carroceria original.


Por fim, o 540 K Stromlinien foi levado a um moderno túnel de vento que atestou a qualidade do projeto: seu coeficiente de resistência aerodinâmica (Cx) é de 0,36, o equivalente ao de um Bugatti Veyron atual! Para comparação, um Mercedes 540 K de produção normal tinha Cx 0,57.


Com a restauração, foram resgatadas histórias. Em sua fase de "mula" na Dunlop, o 540 K Stromlinien era testado nas recém-inauguradas autobahnen — então pouco movimentadas. Com os racionamentos que vieram após 1939, o carro foi convertido para o uso de gás liquefeito de petróleo e continuou em uso na fábrica de pneus até bem perto do fim da guerra.

Os registros mostram que o bólido chegou a ser requisitado pelo exército dos EUA e pintado de verde-oliva! Após seu curto período militar, o automóvel foi devolvido à Dunlop até ser aposentado e desmontado em 1948. Chassi, motor e transmissão foram devolvidos à Mercedes em 1950.
Um dos primeiros felizardos a dirigir o 540 K na Alemanha, após a restauração, foi o neto do piloto de testes da Dunlop.


A reestreia para o público aconteceu no mês passado em Pebble Beach, Califórnia — no evento de carros antigos mais sofisticado do mundo. 

UP! : ANDANDO COM ELE


Mais de uma semana com o novo e impressionante Volkswagen nos convenceu de que o gigante de Wolfsburg tem armas convincentes para seu projeto de liderança mundial, embora em Março, mês atípico, o Gol tenha caído da primeira posição individual de vendas no mercado brasileiro.

O UP usa os mesmos argumentos de ser alto do nosso conhecido Fiat Uno para ganhar espaço interno, o que lhe dá inegáveis vantagens de espaço interno. Chegamos a colocar cinco passageiros dentro dele para um pequeno percurso, mas não gostaríamos de ir a Brasilia assim, no banco de trás, onde cabem mesmo confortável mente dois passageiros. O inacreditável é o que cabe nele: eu tenho dois amigos de tamanho fora do comum: um com 1,96 m e o outro com 2,11 m. Ambos couberam bem na frente e ainda cabiam crianças atrás. A malinha é razoável para a proposta do carro, os bancos revestidos de couro sintético são bem formados e acolhem bem o corpo e os comandos todos funcionam à perfeição, principalmente a direção elétrica opcional e o cambio, velho conhecido nosso e bem resolvido desde 1975.

Impressionante mesmo é o rato que ruge: o motorzinho de três cilindros que tem um rosnado especial de bichinho bravo e move o UP com autoridade. Seus 82 CV são iguais aos do Passat 1600 de 1975 - como o tempo passa e tudo evolui! - e a máxima é de 165 km/h, mais do que suficiente para os tempos atuais. Mais importante que isso são os ganhos em atrito interno e perdas de bombeamento do motor de três cilindros, que tem um cilindro a menos para desperdiçar energia em atrito e calor. O resultado é conseguir normalmente mais de 14 por um na cidade e chegar a inacreditáveis 20 por um em uma noite de vias livres e controlados 80 km/h com dois passageiros. Dá até um prazer sádico e perverso saber que os outros à sua volta estão gastando o dobro do que você gasta. E mais, sem nunca achar que o UP é manco e precisa de muito mais motor.

É bem verdade que ele é um carro mil, então faz se necessário usar a caixa de cambio agradável para multiplicar a potencia do motor, mas o carrinho anda surpreendentemente, mantendo medias altas na estrada ou obtendo resultados excelentes de consumo.

sábado, 13 de setembro de 2014

No tempo em que o trivial era luxo - por Jason Vogel

Itens que hoje são comuns já foram anunciados como grandes inovações.

Você acha os carros atuais pouco equipados? Torce o nariz para anúncios que apresentam Bluetooth como vantagem e pensa que todos os automóveis já deveriam trazer este tipo de conectividade? Pois pesquisar a publicidade de um passado remoto traz surpresas. Em propagandas com muito texto e nenhuma fotografia (apenas ilustrações), vemos que características técnicas hoje triviais já foram vendidas como enormes vantagens. Mostramos aqui alguns reclames publicados em O GLOBO entre meados dos anos 20 e o início dos anos 50.


Um dos anúncios mais surpreendentes é o que alardeia o Chevrolet 1929 como "completamente equipado e prompto para a estrada". Leia-se: o carro trazia um estepe, dois para-choques, quatro amortecedores e... nem era preciso pagar a mais por estes itens!


Já a eterna rival Ford apregoava "freios nas quatro rodas" e "fechaduras contra roubos" como grandes vantagens ao lançar seu Modelo A, em 1928. Explica-se: em seu antecessor, o Modelo T, os freios atuavam apenas no eixo traseiro. Trancar o carro com chave era novidade — em geral, uma travinha tipo pino bastava.



Avançamos um pouco no tempo e encontramos um anúncio do Chevrolet Pavão 6, de 1933. Um de seus modernos apelos era o "controle de ventilação", algo que, mais tarde, chamaríamos de quebra-vento. Segundo o texto, esta "innovação" evitava a entrada de vento e chuva "sem prejudicar a ventilação ou provocar resfriados".

Outro detalhe no mesmo reclame do Chevrolet 1933 chama a atenção: é o "octane-selector", que permitia alterar o ponto de ignição para obter o melhor rendimento com combustíveis de diferentes qualidades — "mesmo o álcool-motor", enfatizava. Era praticamente um flex da Era Vargas, quando houve esforço para estimular o uso do etanol misturado à gasolina.


Carros com tração dianteira e motor transversal hoje são imensa maioria. Mas, em 1938, ainda eram uma excentricidade técnica que precisava ser bem explicada. A alemã DKW, pioneira no assunto, descrevia como "systema de tracção dianteira, sem eixo transmissor. Motor, embreagem e differencial num bloco único". Mas a ênfase do anúncio era a economia, já que o carro conseguia fazer frugais 14km/l.


Falando em transmissão, a Oldsmobile publicou uma "Apresentação especial" de seu modelo 1946 com câmbio automático — novidade que gerava desconfianças e ainda levaria décadas para ser bem aceita no Brasil. O nome "Hidramático" vinha do pioneiro sistema "Hydra-Matic", marca registrada da General Motors. E o texto exclamava: "elimina completamente o pedal de embreagem!".


Ainda na euforia do pós-guerra, chegaram ao Brasil os primeiros Jeep para civis, em 1947. Para explicar a novidade ao público, esses veículos eram expostos nas lojas de forma inusitada: içados por uma corrente, de maneira que os clientes pudessem ver que havia diferencial não apenas no eixo traseiro como também no dianteiro.

E, nas ilustrações das propagandas publicadas por aqui, o "carro mais útil do mundo" também era mostrado meio de baixo. "A propulsão nas quatro rodas garante-lhe segurança de tração nos campos". Como fora de estrada não era brincadeira de fim de semana, o anúncio sugeria as funções do Jeep: "Ara a terra, destorrôa, semeia, ceifa, colhe, pulveriza pomares...".


A construção das carrocerias também era citação comum na publicidade. Primeiro nos anos 20 e 30, quando as estruturas de madeira foram substituídas por armações de metal. Depois, em 1949, a Nash passou a alardear um pioneirismo: o monobloco. Chassi e carroceria passavam a formar um só corpo, que a marca chamava de "Uniscópio". As vantagens, segundo o texto, eram um carro mais seguro, com mais espaço e visibilidade.

A carioca Bramocar, que importava os ingleses Morris, passou a trazer da Alemanha, no início dos anos 50, o compacto Goliath GP700 com "injeção de combustível na câmara de explosão". Sim: este foi o primeiro automóvel do mundo com injeção de gasolina diretamente na câmara de combustão, uma tecnologia desenvolvida pela Bosch.



Curiosamente, na propaganda de 1954, essa informação está perdida entre os dados do modelo. Passados 60 anos do anúncio do pequeno Goliath, vivemos tempos de "downsizing" de motores e os fabricantes alardeiam a injeção direta como uma avançada solução tecnológica.

De carro por Aí com o Nasser 2014


Coluna 3714    10.Setembro.2014

Anti Porsche, AMG GT lança modelo, marca e fábrica.

Na mesma Afallterbach, cidadezinha a meia hora de Sttutgart, Alemanha, onde surgiu como oficina há 47 anos, e no novo prédio abrindo a série de 20 galpões, a AMG, assimilada e divisão da Mercedes-Benz, lançou-se o AMG GT. Automóvel de rendimento esportivo, foca no mítico Porsche 911 S, para ocupar lugar de destaque no mercado dos carros de atitude. É um Superesportivo.
Produto inteiramente novo, sucede o SLS e suas portas abrindo para cima, exibindo credenciais como o chassi e carroceria em alumínio - nesta se excetua a tampa traseira, em aço, material para dar rigidez e estrutura anti torcional.
Não é apenas mais um. Alarga a trilha aberta com o SLS para declarar ser agora fabricante, evolução do trabalho de desenvolver Mercedes-Benz, e após ter vendido 32 mil veículos em 2013. A aparência, o novo motor, a disposição esportiva e a capacidade de ser aplicado como carro de corridas servirão como imagem aos automóveis Mercedes. Tobias Moers, condutor da AMG, foi sintético: o GT será o embaixador da marca.

Muda tudo

Chassi, interior cuidado demonstrando evolução visual, casamento com a carroceria curvácea, dimensões e conceitos do mítico SL 300 Asa de Gaivota, incluindo o longo capô, o motor recuado, entre eixos, e a exclusividade mecânica da marca ao juntar caixa de marchas e diferencial numa só peça, o transeixo, na traseira, tudo se integra em nome de criar bandeira tecnológica. Tudo feito na AMG.
As linhas se marcam pelas superfícies lisas, pela aparência musculosa oferecida pela frente baixa, os largos para lamas, as grandes tomadas de ar frontais para arrefecer líquidos como a água de refrigeração e o óleo do motor, e a baixa altura permitida pelo novo motor V8, a 90 graus, 4,0 litros, feito sem carter de lubrificante, usando depósito externo. Isto permitiu ser rebaixado 5,5 mm.
Formas tem indubitável caráter esportivo e a distribuição de volumes criou traseira mesclando linhas do referencial Asa de Gaivota, e as do seu mirado concorrente 911S Porsche. Famosa estilista de moda Coco Chanel dizia, elegância era se produzir simplesmente e depois tirar 50% do conjunto. Parece, os designers, time próprio e novo arrebanhado pela AMG, sabiam disto. O GT dispensa riscos, rasgos, reentrâncias, dobras. As formas são limpas, lisas, sem adereços ou frescuras. Transforma os naturalmente comparados Ferraris e Lamborghinis em coisas barrocas perto de sua limpeza. Um belo design.
Interior segue a filosofia. Não é espartano com o Ford GT, de fugaz porém marcante passagem. É cuidado, harmonioso, rico em materiais e cuidada combinação, incluindo as linhas de harmonização do painel e a centralização dos comandos no largo, alto e estrutural console sobre o tubo de torque, ligando o motor à transmissão. Mudanças de marcha por alavanca no console ou pelas borboletas sob o volante.

Futuro

Dieter Zettsche, CEO da Mercedes automóveis, responsável pela renovação de modelos em nome da reconquista da liderança do mercado Premium, em conversa com os jornalistas brasileiros, e com saudação em português, concordou com a postura não exposta nas apresentações, quanto ao nascimento de outra marca para a Mercedes e, também, que a iniciativa não se resumirá ao novo GT, desdobrando-se em outros produtos. Passo corajoso.
Não se falou de capacidade industrial produtiva. Construir em alumínio, buscando compatibilizar baixo peso com resistência estrutural exige muitas intervenções e muitos elementos, processo muito distante do fazer uma plataforma convencional com meia dúzia de solenes porradas por prensas e linhas de solda. É um limitador quantitativo.
Oficialmente não se falou em preço. Crê-se, seja anunciado no Salão de Paris, neste mês, mas as especulações projetam-no superior aos US$ 90 mil do visado Porsche 911S. Projeções entre material, mão de obra, o delta valorativo de ser um Mercedes, e o objetivo de concorrer com o 911S o detenha entre US$ 100 mil e US$ 120 mil. No Brasil, sem prazo para chegar, o modelo anterior SLS, de aquecimento industrial para chegar aos atuais produto e postura da AMG, foi vendido inicialmente a R$ 700 mil. Chegará à Europa em dezembro, aos EUA em março, pós Salão de Detroit e na China, maior mercado do mundo, em abril.
Informação atribuída a fontes da Mercedes diziam ser maior: em 115 mil e 130 mil - Euros.
Mercedes não quer pagar pela nova imagem. Quer, com o GT, a divisão AMG sustentável e lucrativa.

Resumo

Motor V8, novo, 32 válvulas, injeção direta, dois turbos no vale do V, 462 cv na versão de entrada e 510 na S, torque de 650 Nm entre 1.750 e 4.500 rpm, pressão dos turbos entre 1,2 e 2,0 bar. Versão S acelera de 0 a 100 km/h em 3.8s e final de 310 km/h. Transmissão com sete marchas no eixo traseiro, controle eletrônico na versão S. 1540 kg e consumo com motor 462 cv, ciclo europeu, quase 11 km/litro, baixas emissões. E um som grave e viril.


Ferrari: crise com Fiat. E venda ?

Ao fim do Grand Prix da Fórmula 1 em Monza, Itália, domingo passado, após outra dupla vitória da até agora imbatida Mercedes, Sérgio Marchionne, CEO – o executivo no. 1 - da Fiat Chrysler, perguntado sobre mais uma derrota da Ferrari, e em sua terra, cobrou publicamente ações de Luca de Montezemolo, presidente da companhia. E, instigado, sobre a possibilidade do executivo, de carreira brilhante, deixar a empresa, disse que ninguém é insubstituível.
Definição, parecendo recado, foi vista pelo sistema bancário italiano como a abertura da possibilidade de venda da Ferrari, pertencente à Fiat, e hoje avaliada em US$ 5 Bilhões, em especial pelo fato das derrotas da empresa diminuírem o valor de suas cotas. Tal montante, pela parte pertencente à Fiat, é ansiado como reforço de caixa ante muitas contas geradas pela compra da Chrysler e os planos de renovação dos produtos da marca.
Na crise que quase degolou a empresa há alguns anos, a família Agnelli, controladora, desfez-se de muito patrimônio extra automóvel para salvar a Fiat. E, para blindar a Ferrari, ícone nacional e símbolo da italianidade, sobre a possibilidade de perda ou venda, excetuou-a, sem incluir no pacote que reuniu todas as suas marcas sob o controle da Fiat Auto SpA.
Agora situação parece diferente. Montezemolo, 67, é executivo vitorioso, ex presidente da Cofindustria, a confederação das indústrias italianas, dono de negócios de charme, como os óculos WEB, dos relógios Girard-Perregaux, recém criou companhia de estradas de ferro para concorrer com a rede estatal. Na Fiat, então braço direito do capo di tuttcapi, o mandão maior Gianni Agnelli, fez boa gestão, e na Ferrari transformou-a em marca de griffe,  aumentando produção, preços, lucros, gerando o valor muito superior aos bens físicos.
Há dias foi convidado a dirigir a fusão das companhias aéreas Alitalia e Etihad.
Montezemolo tomou  estrada da dignidade e demitiu-se. Mas a saída não parece problema. Este será vender a Ferrari a cliente não italiano. Causará trauma na Itália.

Picape, o segundo produto Jeep em Recife

Após o Jeep Renegade – vendas pós Carnaval, pois nem Jeep consegue superar os obstáculos da mídia e atenções durante a festa – a fábrica de Goiana, Pe, terá segundo produto: um picape.
Coisa arrumada, diferenciada, situando-se em porte e preço acima de Strada e Saveiro, e abaixo de Nissan Frontier, Mitsubishi, VW Amarok, Ranger, Toyota Hilux e Chevrolet S10. Terá dimensões assemelhadas a estes picapes, então ditos médios, quando surgiram há 20 anos.
Nas diferenças, além do porte está plataforma monobloco – demais aplicam chassis em longarinas e travessas -, e suspensão independente nas 4 rodas.
Motorização flex e diesel. Motores 2.0, 160 cv, e 2.4, 170 cv, ciclo Otto, Flex, e diesel 2.0 170 cv, importados, de produção Fiat. Transmissão em estudo de viabilidade: mecânica de seis velocidades e versões de topo com caixa de dupla embreagem, oito ou nove velocidades – como em versão do Jeep Renegade.
Ao lançamento, os dois extremos, com motor flex tração simples, dianteira, e o diesel 2.0, tração nas quatro rodas e reduzida.
Piloto de avaliação de uma das mulas – veículo disfarçado para não conseguir ser definido - foi sintético: rodar muito mais para automóvel que para picape.Coerente. Todos os picapes feitos no Brasil utilizam-se do secular eixo traseiro rígido, desconfortável no andar por transmitir as irregularidades sentidas por uma roda à outra, além da vibração e da pouca aderência em frenagens de emergência. Têm andar encabritado e sensações de caminhão pequeno. A suspensão independente nas 4 rodas muito amplia o conforto no rodar.

Ciclo

Repete a história. A marca Jeep, mais emblemática variante de automóvel, ao lançar seu picape, na virada dos anos ’40, optou por tê-lo menor ante os então concorrentes. Renova o enfoque e a perceptível diferença para seduzir clientela: conforto de rolagem, melhor dirigibilidade e segurança em estabilidade e frenagem, permitidos pela suspensão independente em todas as rodas.

Negócio

Fiat, agora uma das marcas da FCA – Fiat Chrysler Automobiles -, implanta grande área industrial no Nordeste. Não é tão somente mais um endereço, enclave para produzir mais Fiats. Pode ser, venha a faze-los. Mas base do negócio é relançar marcas Alfa Romeo, Dodge, e Jeep no Brasil.
Novas linhas, novos produtos, novas redes de revendedores. Empreendimento impactante, para 250 mil unidades anuais, fornecedores instalados na planta industrial, grande passo para sedimentar a ousadia da matriz Fiat que, em menos de uma década se transformou: de empresa quase falida, a preocupante concorrente no mercado, líder no Brasil, quinto mercado mundial.

Roda-a-Roda

Mudou – Após seu Fit 2015 receber pontuação marginal em teste de impacto do Insurance Institute for Highway Safety, IIHS, de seguradoras – Honda mudou suporte do para choques frontal. Trocará em 12.000 unidades vendidas.
Aqui – Honda Brasil interpreta a ação como correção e não a aplicará aqui. Diz: “A informação divulgada pela Honda americana sobre o novo Fit nos EUA não se referiu a um recall por falha de produto. Em alguns mercados existem ações chamadas de PUD - Product Update - onde é possível chamar clientes para efetuar atualizações de produto. A alteração em pauta significa uma mudança do produto a fim de se obter melhores classificações no índice ISSH. Dessa forma, não existe relação com a especificação do FIT produzido no Brasil.” 
Bom começo – Série First Edition, inicial de 1.927 unidades – número registra o ano de criação da companhia - do novo utilitário esportivo Volvo XC90, lançado pela Internet, vendeu em 47 horas.
Conceito - Marca tão forte, clientela nem quis saber se o novo motor, de projeto chinês, substituindo os antigos Ford EcoBoost, é bom ou não.
Atualidades – Volvo de automóveis, investe seriamente em segurança e resistência, há anos foi comprada pela Ford e, pré crise econômica dos EUA, vendida aos chineses da Geely.
Audi + - Apesar de economia instável no mundo, Audi consegue superar performance do mercado. E agora quer vender 1,7M de unidades em 2014. Previsão anterior era 1,5M.
O Gato – Jaguar fez enorme festa, criou música, envolveu personalidades inglesas, lembrou ações do agente 007, incluindo trazer o carro de helicóptero sobre o rio Tâmisa até uma lancha de alta velocidade que o levou até o final.
Razão – Com o modelo XE, sedã médio, quer triplicar as vendas. O espaço estava vazio desde a saída de produção do modelo X Type, um Mazda de motor transversal e tração dianteira, repelido pelos compradores.
Armas – Intenso uso de alumínio na plataforma modular e na carroceria, motor V6, 3.0, turbo com 340 cv, tração traseira, transmissão de oito marchas, aceleração de 0 a 100 km/h em 5,1s, grande espaço interno, o XE foca competir com BMW Serie 3 e Mercedes Classe C. Lançamento em setembro no Salão de Paris. No Brasil, Salão do Automóvel, outubro.
2008 – Vazaram na Internet fotos do 2008, mini utilitário esportivo a ser lançado pela Peugeot. Thomas Merchant, diretor da marca na matriz, confirma lançamento para o Salão do Automóvel, outubro.


Foco – Peugeot, disse o executivo, aplicará enorme plano de reestruturação no Mercosul para implementar negócios, melhorar as más vendas do bom 208 no Brasil. Investirá para promover imagem da marca no Brasil, Uruguai e Chile. Plano de reestruturação é nome elegante de corte de pessoal.
Mercado – Vendas de 19.132 veículos em agosto significou à Renault crescer 0,4% relativamente aos números de agosto 2013, no período mercado encolheu 17%. Novo Sandero e Logan lideram a marca.
Acerto – Decisão da Renault em fazer localmente veículos da romena linha Dacia – Logan, Sandero e Duster -, sugeria condenar o mercado a produtos de segundo nível. Entretanto salvou a operação, fe-la rentável e a mais vendida após as quatro grandes.
Finalmente - Quase um ano após, executivo da Fiat recordou o Leão de Ouro, recebido no último festival do filme publicitário em Cannes, França. Primeiro da América do Sul, disputando contra empresas grandes e de enormes orçamentos – IBM, Google, etccc.
Festa - O prêmio à companhia não tem sido capitalizado como conquista diferenciativa. Foi lembrado por Lélio Ramos, diretor comercial. Durante a apresentação do Uno Novo De Novo, mantinha a estatueta em mãos.
Vem aí – Sobre a nota da Coluna passada quanto ao início da produção local do Golf, Volkswagen esclarece: começará em 2015. Golfs mexicanos, com algumas simplificações relativamente aos modelos alemães atualmente à venda, iniciam ser importados até início da comercialização dos nacionais.
Charme – Nova atividade da Mercedes, alugar carros e utilitários esportivos com e sem blindagem mais Sprinter, tem promoção para os finais de semana: locação de sexta feira ao meio dia, até segunda, mesmo horário, pagará apenas duas diárias. Mais ? Gestor de Negócio-Locação de Veículos Eduardo Mamede 11-99882-5727 /  Nextel:ID.94*131796.
Tecnologia – O sistema de partida Start-Stop, desenvolvido pela Bosch e equipando o Novo Uno exige motor de arranque mais forte, cremalheira reforçada no motor e bateria para suportar seguidamente as demandas. Fiat estreia as novas Heliar EFB, com placas positivas revestidas por malha, capacidade de 60 AH e partida de 500 A.
DNA – Pedro, 16, o mais novo dos Piquet, é campeão de Fórmula 3 Sul Americana, mesmo faltando duas provas para terminar o campeonato. Venceu 13 das 18 provas e é o único piloto a marcar pontos em todas.


Desinteresse – Cadillac sedan de 1951, serie 62, ex do ex presidente argentino Juan Domingo Peron, e pertencente a outro argentino famoso, o penta campeão de automobilismo Juan Manuel Fangio, leiloado pela Silverstone Auctions. Autorização por herdeiros, atingiu US$ 203.504 – uns R$ 450 mil.
Não combina – Fangio implantou em Balcarce, sua terra natal, o melhor museu de automóveis na Argentina doando, obtendo, reunindo excelente acervo. Passou e os herdeiros vendem o que podem. Há meses trocaram por moedas um Torino Gran Routier, o modelo sedã, também do ex campeão. Ninguém na Argentina, governo ou colecionadores se mexeu.


Gente - Sydney Latini, economista, passou. OOOO O Dr Latini, como reverenciado, foi o secretário geral do GEIA. OOOO No grupo encarregado de implantar a indústria automobilística, assunto novo, conseguiu gerir desenho de reconhecida eficiência. OOOO Deixou um livro, o melhor do tema, sobre a implantação desta indústria, e amigos agradecidos pelo convívio rico. OOOO

Um novo Uno para liderar

Quatro anos após lança-lo, Fiat apresentou nova edição do Novo Uno. Assume o nome, e o antigo será mantido em produção, como veículo de menor preço. Ampla reformulação em todos os grupos, de mecânica, estilo e conteúdo, contém diferenciais como o sistema Dualogic de automatização do câmbio através de botões, como o fazem Ferrari e o Alfa Romeo 4C e, para os conscientes da ecologia, o sistema Start-Stop, desligando o motor ao parar em sinais, cruzamentos. Reduz consumo e emissões, em circuito de para e anda, em até 20% do volume. Opcional sistema fixo ao painel, o Easy For You recebe o smart phone, utiliza sua tela, faz e recebe ligações por Bluetooth, vira GPS.
A colocação de atrativos diferenciados e as numerosas mudanças, atingindo até a plataforma, tem a pretensão de ampliar suas vendas em 30%. Hoje quarto lugar na lista dos mais vendidos no mercado, tal percentual  somado às vendas atuais o levariam a 13.000 vendidos mensalmente. Tal número embolará a disputa pelo primeiro lugar nas vendas domésticas, lideradas por outro Fiat, o Pálio, disputando com o VW Gol a posição de mais vendido. Outro da marca, o picape Strada, comanda as vendas dos picapes pequenos, e é tremendo adjutório na soma que leva a Fiat à liderança do mercado, como o faz há 13 anos.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Um breve relato sobre o Grupo B

 Os anos 70/80 foram os verdadeiros “anos dourados” do esporte a motor, pelo menos para mim. Le Mans, Formula 1, Rally… cada uma dentro do seu regulamento (aonde ainda sim, os engenheiros podiam fazer quase tudo), arrancavam suspiros dos fãs e proporcionavam disputados de tirar o fôlego.
   Hoje vamos falar um pouquinho sobre o extinto Grupo B.
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   Em 1982 a FIA criou o Grupo B no campeonato de Rally. Grosseiramente falando, qualquer coisa com uma aparência de carro, que tivesse 4 rodas e um volante podia ser inscrito dentro do grupo B. Não haviam restrições quanto a potencia ou o peso dos carros, permitindo assim um uso ilimitado de materiais nobres e de alta tecnologia. Essa formula logo chamou atenção de vários fabricantes, vendo ali uma grande oportunidade de marketing se fazendo valer da velha frase “Win on sunday, sell on Monday.”, mesmo que os carros, tirando sua aparência, pouco tivesse haver com os modelos de competição.