terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

ALTA RODA COM FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 873 — Fernando Calmon — 26/1/16

SEGURANÇA COM MAIS FORÇA

Uma das complicadas e desgastantes situações para fabricantes de veículos e seus clientes, em qualquer parte do mundo, são os recalls sempre ligados a riscos de segurança. Apenas em 2015 nos EUA – maior frota mundial, 255 milhões de veículos e o segundo maior mercado, 17,5 milhões unidades/ano – ocorreram 868 campanhas envolvendo o recorde de 51 milhões de veículos. Aqui, no mesmo período foram 114 recalls e 2,8 milhões de unidades convocadas para uma frota total de 41 milhões. Nos números frios das estatísticas proporcionais o Brasil não ficou tão mal na foto.
Em grande parte, o aumento das chamadas para reparos se deveu ao problema com airbags da Takata, que se tornou mundial. Os fabricantes também ficaram bastante cautelosos em razão das implicações financeiras de defeitos fatais. Nem se discute relação custo-benefício de um recall: melhor pecar por excesso do que por falta. Como consequência, pode acontecer de o motorista começar a “selecionar” o tipo de recall. Isso é ruim.
O governo americano, no entanto, aproveitou o recente Salão do Automóvel de Detroit para assinar um acordo com os 18 grupos de fabricantes locais e importadores para que esses defeitos sejam evitados ao máximo. Produzem-se em série cerca de 85 milhões veículos/ano e cada um tem cerca de 5.000 peças. Não se pode querer a segurança de um avião, mas erros devem ser diminuídos.
Outro passo importante foi a NHTSA (agência oficial nos EUA responsável por requisitos de segurança) acabar de revisar critérios para obtenção de cinco estrelas nos testes. Há conflito de interesses, que só confunde e aumenta custos, entre Euro NCAP (entidade não oficial na União Europeia), IIHS (instituto das seguradoras americanas) e a própria NHTSA.
Este, além do exclusivo teste de resistência do teto, agora prevê diminuição de riscos nos atropelamentos (semelhante ao Euro NCAP), nova colisão frontal oblíqua, dummies (bonecos de teste) aperfeiçoados, avaliação mais rigorosa para passageiros do banco traseiro sem mudar o teste de colisão 100% frontal desdenhado em outras partes do mundo. Também passa a valorizar recursos eletrônicos a fim de evitar acidentes (também em linha com os europeus). Enfim, não se trata ainda de convergência, porém avanços importantes na bagunça atual de seis NCAPs diferentes.
Pena que o Latin NCAP cometa certas falhas técnicas e tenha aprendido pouco com os próprios erros. Claro que suas exigências não são – e nem poderiam ser – as mesmas de países de alto poder aquisitivo. A região latino-americana tem muitas diferenças e usar argumentos como “uma vida vale mais que US$ 50 do custo de tal peça” soa pura demagogia. Por que veículos comerciais, como furgões, têm apenas um airbag obrigatório, mesmo no exterior? Até nos EUA, há exigências diferentes por tipo de veículo e a vida não tem preço.
Controle eletrônico de estabilidade (ESC, na sigla em inglês), por exemplo, só se tornou obrigatório por lei na Europa em 2014. Aqui o será apenas em 2020 e em 2022. Apesar de a Coluna concordar que esse prazo é elástico demais, o impacto do preço do ESC em um automóvel de R$ 35.000 obviamente não é o mesmo em outro de R$ 100.000.

RODA VIVA

NISSAN aproveitará a oportunidade de atuar como uma das patrocinadoras dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto próximo, para lançar e iniciar em seguida vendas do Kicks, seu novo SUV compacto. De início, carros virão do México, a exemplo do que VW fez com o Golf. Produção nacional em Resende (RJ) começará em 2017, com o segundo turno de trabalho.
MOTOR 1,4 TSI, por enquanto só a gasolina, aposentou o motor aspirado de 2 litros no sedã médio-compacto Jetta. Com 150 cv e torque de 25,5 kgfm, é o que o modelo precisa para disputar de forma equilibrada o segundo segmento em vendas (os SUVs compactos em 2016 devem subir a essa posição). Versão de topo com motor 2 litros turbo de 211 cv continua a vir do México.
ALÉM da simples reestilização, Cobalt ganhou presença, antes bastante tímida. Além de novos itens de série, inclusive multimídia de segunda geração e serviços OnStar via chip próprio, mantém o grande espaço interno e porta-malas de 563 litros. Apesar de bom torque do motor 1,8 L, a potência de 108 cv vai bem com câmbio manual, porém no automático nem tanto.
TAMBÉM deve se dar crédito à Câmara dos Deputados quando há boas propostas aprovadas. A mais recente impede a venda de veículos sem dispositivo antiesmagamento em vidros elétricos. Nem precisaria de lei (ainda passará pelo Senado) para isso por questão de bom senso. Comissão também aprovou anotação de recalls não atendidos no licenciamento anual.
FABRICANTES de fluidos de freios estão recomendando a troca anual ou, de forma errada, a cada 10.000 quilômetros rodados, independentemente de especificações. Vale é o que o produtor do veículo indica. A esmagadora maioria destes recomenda a troca por tempo, sem quilometragem específica. Basta ler manual do proprietário.
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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


50 ANOS DE CORVETTE

NOS MINIMOS DETALHES ANO A ANO

domingo, 31 de janeiro de 2016

OPINIÃO POR BORIS FELDMAN


MAIS UM PARA AA GAAVETA:


Anfavea propõe programa para retirar de circulação milhões de sucatas sobre rodas que congestionam, poluem e colocam a segurança em risco.
Como o governo federal se mostra incompetente para implantar a inspeção veicular, estabelecida pelo código de trânsito há 18 anos, continuam milhões de BMV (Brasilia Muito Velha) circulando livremente pelo país. Quebram no meio da rua e aumentam os congestionamentos, emitem gases poluentes dezenas de vezes acima dos índices tolerados e, caindo aos pedaços, colocam em risco a vida do dono e dos outros motoristas.
Voltou recentemente à tona a ideia de um programa de renovação de frota, imaginada (mas não foi adiante) há dois anos para os caminhões com mais de trinta anos. Ela voltaria agora estendida para os automóveis fabricados há mais de quinze anos. A proposta foi levada pela associação das fábricas de automóveis (Anfavea) ao governo federal em 2015, a partir dos estudos de um grupo de 19 entidades da indústria, comércio, sindicatos e órgãos do governo.
O programa, chamado Sustentabilidade Veicular, não foge ao roteiro já proposto no passado: o dono do veículo o leva a uma empresa de reciclagem para sucateá-lo e emitir uma espécie de “atestado de óbito” que dá direito a uma carta de crédito para reduzir o custo da aquisição (financiada) de outro veículo novo ou usado menos idoso.
Aposentar a sucata ambulante vai muito além dos interesses das fábricas, pois contribui para o meio ambiente, fluxo e segurança do trânsito e desenvolve a economia como um todo. Além de, claro, estimular as vendas da indústria automobilística: estima-se um acréscimo de 500 mil unidades anuais nos primeiros anos de vigência do programa, um reforço muito bem-vindo num mercado em crise e com gráfico de vendas apontado para o assoalho. Ao contrário de outros países (como a Argentina e alguns europeus) que implantaram plano de estímulo semelhante mas durante período limitado, o programa brasileiro seria permanente. Evitando assim um pico de vendas durante sua vigência seguido de uma marcha-ré do mercado ao expirar.
A ideia é boa, mas falta um detalhe a ser resolvido e contar com o aval definitivo do governo federal: de onde sairão as verbas necessárias para financiar a carta de crédito e o financiamento para a aquisição do veículo mais novo. O programa não pode se basear somente em recursos ou incentivos do governo federal, às voltas com uma gravíssima crise fiscal. Mas imaginou-se a criação de fundos específicos a partir do licenciamento dos veículos, seguro obrigatório (DPVAT), taxas e outros.
Um plano de renovação de frota que traz benéficos sociais, econômicos e ambientais deveria congregar esforços do poder público (governos federal e estaduais), do BNDES, da indústria automobilística (apesar de abalada pelas vendas em declínio), das empresas de financiamento e seguros. Um verdadeiro “mutirão” que poderia contribuir fortemente para um processo de reversão da nossa economia em frangalhos.
A indústria automobilística brasileira está de olho nas exportações, aproveitando a desvalorização do real, para compensar a retração do mercado doméstico. Um caminho natural e que poderá recuperar parte do seu fôlego. Mas é indispensável uma injeção de ânimo também nas vendas internas, que tiveram queda de 27% em 2015 e outros 6% estimados para 2016. Mais de mil concessionárias foram fechadas no ano passado com 32 mil postos de trabalho eliminados. Estima-se que outras 400 lojas fecharão as portas este ano, caso não haja uma reversão do cenário econômico.
O programa Sustentabilidade Veicular deveria ter sido anunciado em janeiro, mas foi adiado sem nova data para ser implementado. Pela sua importância, espera-se que não tenha a gaveta de algum ministério em Brasília como destino final.
BF
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de

CITROEN AIRCROSS BY GIU BRANDÃO

DE CARRO POR AÍ COM O NASSER



Coluna 0516      27.Janeiro.2016                     edita@rnasser.com.br      
Sr Governador, que tal uma fábrica Aston Martin ?
Ao receber proposta da Macedônia, ex parte da Iugoslávia, norte da Grécia e leste da Albânia, para acolher produção da Aston Martin, a marca de origem inglesa se achou. Não bateu o martelo, e abriu-se para receber propostas de outros países. Produto será misturanga entre carro esporte 4 lugares, SUV e Crossover  sobre base e transmissão 4x4 Mercedes-Benz, motor V8 AMG.
Macedônia, país pequeno, área inferior a Alagoas, sem mar, quer fazer automóveis após bem sucedido projeto de atração de auto partistas, como Johnson Controls, e catalisadores, bancos, cabeçotes.
Decisão da Aston fez guardar canetas a hora de assinar negócio com o condado de Sutton Coldfield, no centro da ilha, abrindo o jogo sem nacionalismo. Ex-inglesa, AM tem coração argentário, controlado pelos grupos italiano InvestIndustrial, kwaitiano Tejara Capital, e 5% com a alemã Daimler. Empresa vem caindo em vendas e o novo projeto é ponte para atingir escala de equilíbrio, dobrar produção projetada entre 4.000 e 5.000 anuais a partir de 2019.
Brasil poderia se tocar, vista a ociosidade de 50% nas linhas de montagem de veículos, e duas fábricas novas e fechadas no setor. Da Honda e da Suzuki. Esta, da holding Cerfco, em Itumbiara, Go, onde fez os Suzuki Jimny – agora assumidos pela Mitsubishi, em Catalão, mesmo estado. Governador Marconi Perillo e o prefeito de Itumbiara poderiam decretar o Dia do Vem, antecedendo as retocadoras uruguaias, bem estruturadas e especializadas em agregar partes.
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 Aston-Martin DBX, crossover, propostas para fabricar
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