quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ALT A RODA COM FFERNANDO CALMON

Alta Roda nº 867 — Fernando Calmon — 15/12/15

ECONOMIZAR TEM CUSTO

O Inovar-Auto é o exemplo puro de excesso de intervenção governamental em geral e na indústria automobilística em particular. Pode ter havido intenção de fortalecer o setor ao criar obstáculos para quem não produz localmente, mas a estratégia acabou por produzir uma legislação complexa e difícil de implementar. O marco legal começou em 2011 e incluiu incentivos para inovação. Foi preciso editar duas leis, quatro portarias e um decreto ao longo de quatro anos para um programa que teoricamente termina em 2017.
Apesar do viés protecionista e questionado por organismos internacionais, sempre é bom lembrar que o México tem uma lei mais direta: só pode importar quem produz localmente. Mas se sabe que o “jeitinho” mexicano também apareceu por lá e o número de acordos comerciais multilaterais ajudaram. Aos poucos atraiu várias fabricantes – a última foi a Kia – para se tornar o maior produtor de veículos da América Latina. Em razão da crise atual, o Brasil verá o México (com o mercado dos EUA escancarado para eles) ainda mais à frente por muitos anos, apesar de nosso grande mercado interno potencial.
Exigência de eficiência energética, embutido no Inovar-Auto, é realmente um ponto indiscutivelmente positivo. Os fabricantes terão que demonstrar, a partir de outubro de 2016, que atendem a meta mínima de redução de 12,08% no consumo de etanol e gasolina sobre a média dos veículos à venda de cada marca, tendo como referência 2011. As multas em caso de descumprimento são altíssimas e, assim, todos deverão se ajustar.
Com a fase atual de preços altos de combustíveis essa é boa vantagem para os consumidores na hora de abastecer. Também exigirá das fábricas, especialmente as que produzem modelos de maior porte (picapes e SUVs médios), um acerto fino da produção para se manterem dentro da média obrigatória de economia. Vendas adicionais de modelos menores terão que compensar eventuais desajustes. Talvez signifique um crescimento na procura por motores de 1 litro de cilindrada.
Há um problema adicional nessa adequação. A indústria domina várias tecnologias para menor consumo, mas tem que manter preço competitivo em momento de forte recessão no mercado. A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) apresentou um estudo recente, feito na Austrália, que compara os valores de custo de cada recurso técnico com o respectivo potencial de economia de combustível. A análise inclui não somente motores, mas itens de carroceria (aerodinâmica, peso), acessórios (direção, pneus) e tipos de caixas de câmbio.
A pesquisa demonstra uma equação bastante complexa e cada fabricante monta um verdadeiro quebra-cabeça. Considera o dólar australiano em R$ 2,67, a preço de custo (sem impostos ou margem de lucro) e não de venda. Um veículo híbrido consegue 45% de economia por menos de R$ 10.000. Um elétrico compacto economiza 100% de combustível, mas seu custo é de R$ 35.000 ou 250% mais caro de produzir sem incentivo fiscal. Esta é uma das maiores dificuldade para aceitação do carro elétrico.
A diferença de custo entre um motor turbo simples com 7% de economia e um turbo com todos os recursos para economizar 20% chega a 450%.

RODA VIVA

FORD prepara ampliação da família de motores de três cilindros no Brasil, segredo bem guardado. Inteiramente novo e batizado de Dragon, tem 1,5 litro de cilindrada e se destaca pela economia. Estreia aqui (sem versão turbo, de início) na renovação do EcoSport em novembro de 2016. Já o motor de 1 litro turbo para o Fiesta deve sofrer atraso pelas condições atuais.
SITE inglês just-auto.com antecipou: fabricante indiano Mahindra acertou a compra de uma das casas de estilos mais importantes, a Pininfarina. Nada de oficial ainda se anunciou. Ícone italiano do desenho automobilístico (Ferrari e outras marcas), fundado em 1930, venderá 76% de seu capital. Tata, também indiana, é dona da Jaguar Land Rover desde 2008.
RENAULT Duster Oroch começa a ultrapassar Montana para garantir o terceiro lugar em venda entre as pequenas compactas. Espaço interno, acesso por quatro portas e comportamento exemplar (suspensão traseira independente) são pontos fortes. Motor 1,6 L até vai bem no uso urbano, mas o de 2 L aproveita melhor todo seu potencial, apesar do consumo elevado.
SUPERDOSE de crossovers anunciada pela Chery. Além do Tiggo 5 e sua geração anterior Tiggo 3 para produção em Jacareí (SP), a marca chinesa também produzirá o Tiggo 1, baseado na arquitetura do compacto Celer. Os planos são para 2016 e 2017. Antes, chega o subcompacto QQ em março próximo. É preciso fôlego para manter uma linha tão diversificada.
LOBBY dos extintores de incêndio para automóveis tenta reverter decisão correta tomada pelo Contran. Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados deu apoio ao decreto legislativo que traz de volta os extintores sob argumento falacioso de 40.000 desempregados. Falta passar por outra comissão e pelo Plenário. Assim, ainda há esperança de rejeição.
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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

E-MEHARI BY JLV

 e-Mehari
Inspirado em sua história de vida, o e-Mehari é baseado um pouco no Mehari de 1968 e bastante no futuro.
Cabriolet elétrico de quatro lugares e pintado em cores brilhantes, ele confirma a ambição da Citroën de trazer ao mercado um veículo ‘otimista’.
Estiloso, diferente, até mesmo desbocado, é desenhado como um veículo alternativo que vê a vida de maneira positiva, atento ao meio ambiente e suas mais diversas tendências. Seus faróis duplos são pequenos e muito fortes, os contornos de sua carroçaria são lisos, sua frente lembra um sorriso.
As escolhas de cores radicais, azul, laranja, amarelo, ou até mesmo beje, contrastam com um teto deslocável preto ou vermelho laranja.
A carroçaria é mais levantada do chão do que a de um carro comum e possui extensores de plástico preto – uma indicação de farra, desde 1968.
Apesar de sua aparência de simplicidade, o e-Mehari engloba tecnologia avançada. Suas baterias LMP são baseadas no conhecimento do Grupo Bolloré francês e dão alcance urbano de 200 km com desempenho, confiabilidade e segurança.
O e-Mehari atinge velocidade máxima de 110 km/h.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

CITROEN MEHÁRI EKETRICO


Paris, 14 de dezembro de 2015.

CL 15.096.008
CITROËN E-MEHARI: ELÉTRON LIVRE

Conectado à história da Marca e decididamente orientado para o futuro, o E-MEHARI se inspira num ícone, o Méhari de 1968. Mas, na verdade, é muito mais do que isso: um conversível de quatro lugares, 100% elétrico, com um estilo moderno e divertido. Nesta nova fase da parceria com o Grupo Bolloré, a CITROËN confirma sua vocação para propor carros inovadores e diferentes, cheios de frescor e otimismo.


Ligado, desinibido, diferente e até mesmo irreverente... adjetivos não faltam para descrever o novo modelo da CITROËN. O E-Méhari é um carro forte, cheio de impertinência, dentro do espírito CITROËN. O E-MEHARI é um "it car", que saberá seduzir as pessoas que buscam diferenciação, otimismo, atentas às tendências e ao meio ambiente.

Incomparável, sem estresse e sem barulho, o E-MEHARI é um verdadeiro elétron livre no mundo do automóvel!

UMA PERSONALIDADE ÚNICA

O design exterior do E-MEHARI se inscreve completamente no posicionamento da CITROËN. Nele se reencontram os códigos estilísticos da Marca, por meio de:

·          um olhar expressivo, constituído de faróis de estágio duplo - assinatura da marca dos chevrons;
·         um design único e otimista, que abusa das formas suaves e que surpreende com uma frente “sorridente”;
·         um estilo apurado, símbolo de alegrias simples e verdadeiras.
Esta personalidade carismática é complementada por tons fortes. De fato, as possibilidades de personalização são múltiplas no E-MEHARI com:

-           Quatro cores de carroceria: azul, que convida à evasão; laranja, gerador de energia e otimismo; amarelo, revigorante; e bege, particularmente elegante.
-          Duas cores de lonas: preto e vermelho alaranjado.
-          Dois revestimentos internos: um bege natural e um segundo, com um aspecto técnico, vermelho-alaranjado, cuja impressão na parte central é inspirada no universo dos esportes aquáticos. Elaborados em TEP, eles são completamente impermeáveis. As combinações mais audaciosas são então possíveis para aqueles que querem um carro divertido, expressivo e colorido.
O E-MEHARI propõe uma silhueta elevada, pontuada por peças pretas: os alargadores de para-lamas, as saias da carroceria e dos para-choques. Uma referência óbvia ao mundo do lazer e da aventura.

Assim, o E-MEHARI apresenta um estilo fresco e cheio de expressividade, seduzindo as pessoas à procura de um automóvel diferente e simpático.


UM ESTADO DE ESPÍRITO ORIGINAL

O estado de espírito do E-MEHARI retoma um ícone da marca CITROËN, o Méhari, tanto por sua aparência quanto pelo caráter, mas também por sua praticidade e pelo seu lado aventureiro. Tal como o Méhari, lançado em 1968, o E‑MEHARI:

-          se transforma em um verdadeiro conversível, por meio de um pratico sistema de capota removível e fechamento lateral escamoteável. Dependendo da vontade dos ocupantes, pode-se decidir colocar a capota somente na frente, atrás, em um dos lados ou em todo o conjunto;

-           é dotado de quatro verdadeiros lugares (e possui ainda uma banqueta dobrável);

-          conta com uma plataforma sobrelevada para uma direção facilitada, qualquer que seja o terreno;
-           
-          utiliza uma carroceria “termoformada”: um material plástico que não sofre com a corrosão, não requer nenhuma manutenção de pintura e resiste aos pequenos choques graças à sua elasticidade;

-          é totalmente prático no dia a dia: ele pode ser lavado por inteiro, dentro e fora, bastando um jato d’água.
O motivo das ranhuras nas portas e das ondulações de sua carroceria é um aceno dos projetistas ao Méhari original. Da mesma forma, as cores externas escolhidas se inspiram nas do lançamento do modelo de 1968.

Esta ligação com o Méhari, carro mítico e que marcou seu tempo, confere ao E-MEHARI uma identidade forte, uma filosofia "à parte" para aqueles que estão à procura tanto de autenticidade quanto de diversão.


UMA EXPERIÊNCIA DE DIREÇÃO LIBERADA

Simples e descontraído, o E-MEHARI não é, por isso, menos tecnológico. 100% elétrico, ele oferece uma tecnologia de bateria oriunda do grupo francês Bolloré: as baterias LMP® (Lítio Metal Polímero) permitem uma grande autonomia e oferecem desempenho, confiabilidade e segurança. 

As baterias LMP® destacam-se pela sua forte densidade energética e segurança de utilização. São baterias secas, o que lhes dá muitas vantagens, notadamente uma insensibilidade às variações climáticas. Elas permitem andar a uma velocidade máxima de 110 km/h e se beneficiam de uma autonomia de 200 km em ciclo urbano.

Práticas, elas são recarregáveis em 8 horas em instalações de 16A (terminais domésticos ou terminais públicos tipo Autolib) ou em 13 horas em tomadas domésticas de 10A.

Assim, o E-MEHARI gera um sentimento de liberdade e de serenidade sem precedentes: o de andar em contato com a natureza, com o vento nos cabelos, somando a aceleração, a facilidade e o silêncio de um carro elétrico. 

Produzido na fábrica da PSA Peugeot CITROËN em Rennes, o E-MEHARI será comercializado na França no segundo semestre de 2016.


CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

DIMENSÕES
Comprimento: 3810 mm
Largura: 1870 mm
Altura: 1650 mm
Volume do porta-malas: 200 dm³ a 800 dm³ (assentos dobrados)

MOTORIZAÇÃO E BATERIA
Potência máxima: 50 kW
Potência nominal: 35 kW
Bateria Lítio Metal Polímero: 30 kWh



tive um exatamente dessa cô, com 602 cc e quatro marchas

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

ÁGUA DO PROFESSOR PARDAL POR BORISS FELDMAN

Água como combustível é coisa de “professor Pardal”. Mas ela já foi e poderá voltar a ser utilizada para tornar os motores mais eficientes.
Volta e meia aparece na tevê um “professor pardal” que põe um motor para funcionar com água. E prova por a+b que encontrou a solução definitiva para a substituição do combustível fóssil. Nos dias seguintes, não param de pipocar comentários e a questão de sempre: “Por que a indústria automobilística não adota esta solução? Por pressão das empresas de petróleo?”
Se a água fosse mesmo capaz de movimentar um motor, estaria resolvido um dos maiores problemas do planeta. Aliás, basta reparar em sua fórmula para se constatar que a solução está por perto: H20 é uma composição de hidrogênio com oxigênio. E o H2 tem de fato a energia necessária para movimentar um veículo. Poderia (e já foi) utilizado diretamente como combustível no motor a combustão ou para produzir energia elétrica numa célula a combustível (fuel cell). Mas obter o hidrogênio é uma operação de custo tão elevado que inviabiliza sua aplicação em escala industrial. Este ainda é um empecilho ao automóvel elétrico movimentado pelo hidrogênio: sua obtenção, distribuição e armazenamento.
Entretanto, o uso da água no motor a combustão interna não está descartado. Ela já foi utilizada diversas vezes no passado, não como combustível, mas como elemento auxiliar para aumentar a eficiência da combustão da gasolina. No século passado, o sistema de injeção de água foi utilizado em motores de tratores, aviões e carros de competição. Na década de 60, um automóvel da GM (Oldsmobile F-85) teve injeção de álcool/água no coletor de admissão de seu motor turbo. Chrysler e Saab também realizaram experiências semelhantes.
Mas a idéia não foi abandonada: a Bosch apresentou este ano, num simpósio sobre motores em Viena, um novo desenvolvimento do sistema. A idéia básica está na absorção de calor quando a água se transforma em gotículas. No motor turbo, o ar que chega ao coletor de admissão já resfriado pelo intercooler (radiador) tem sua temperatura novamente reduzida em cerca de 25 ºC com a injeção de água, aumentando ainda mais a densidade do oxigênio. Além disso, a água é injetada também dentro dos cilindros, o que reduz a temperatura de pico da mistura em cerca de 70 ºC, aumenta a eficiência e permite aumentar a taxa de compressão, pois reduz a possibilidade de detonação.
Segundo os estudos da Bosch, a injeção de água (numa proporção que pode variar de 25 a 30% do combustível) pode aumentar a potência do motor (ou reduzir o consumo, em função dos objetivos do fabricante) em cerca de 10%. Além do acréscimo de eficiência, há também uma redução nas emissões de CO2 e NOx.
O sistema ainda não existe comercialmente, mas a BMW já o aplica num motor 1,5-L de três cilindros, obtendo potência acima de 200 cv e uma considerável redução de emissões. Os custos adicionais ainda não foram estabelecidos mas não serão baixos, pois será necessário instalar injetores de alta pressão nos coletores e nos cilindros . E um reservatório de água para o sistema (cerca de cinco litros). A BMW teve uma idéia interessante para reduzir as dimensões deste tanque: direcionou para ele a mangueira de água do ar-condicionado que, funcionando em condições normais, produz cerca de um litro por hora.
O sistema ainda está em desenvolvimento, mas a Bosch acredita que sua produção em série será iniciada dentro de dois a três anos.
BF

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

DE CARRO POR AÍ COM O NASSER

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Coluna 5015          09.dezembro.2015                   edita@rnasser.com.br

A Era Nader. Vez do consumidor começou há 50 anos.
Nenhum previsor do futuro intuiu a mudança das relações de consumo baseada no determinismo de apenas um homem, o norte americano Ralph Nader, 81. Sempre advogado dos consumidores, deu base à grande mudança nas relações de consumo a partir de exigências de segurança.
Se seu carro tem cintos de segurança, suspensões seguras, almofadas de ar, ABS e outros itens de segurança, agradeça ao Nader.
Postura de cidadão, sua primeira ação questionando sua Harvard School of Law do porquê de uso do inseticida DDD em suas árvores, seu trabalho evoluiu, expandiu-se, deu frutos em ramos diferentes como mudanças em veículos, tratamento de água, carnes, pesticidas. As ações de Nader permearam mundo a fora. No tema da Coluna, comparados os níveis de segurança dos veículos do final dos anos ’60 e os atuais, incluindo os brasileiros, é de se reverenciar o filho de libaneses e sua vida dedicada à cidadania.
Reverso
Curiosamente, quem construiu o pedestal para a fama foi a poderosa General Motors. Era dela o Chevrolet Corvair, ponto de vista da marca para combater o Fusca nos EUA. Nader fez artigo no jornal de Harvard mostrando a insegurança do Chevrolet Corvair por sua suspensão traseira – como no Fusca -, ao fazer o semi eixo mudar o ângulo de contato da roda com o chão por buracos, inclinação das curvas, freadas fortes. Comportamento fazia perder estabilidade, com risco de capotamento, danos materiais, ferimentos, mortes.
Um editor propôs-lhe escrever um livro – Unsafe at any speed, algo como inseguro em qualquer velocidade -, e a GM, embotada por magnitude, embriagada por empáfia, mostrou como as grandes corporações não sabem tratar de crises e surpresas externas. Em vez de corrigir o produto, mandou investigar a vida privada de Nader, violência inimaginada nos conceitos de liberdade individual nos EUA. A divulgação do mal feito transformou o desconhecido Nader em sucesso, e seu livro em Best Seller não-ficção, superando Truman Capote e seu A Sangue Frio.
Respeitasse o oponente, analisasse seu perfil de filho de imigrantes da frutífera Zahle, no vale do rio Bekah, Líbano, saberia, mais honesto, mais barato, menos danoso, corrigir a característica do Corvair – como fez no ano seguinte, quando a imagem do carro estava borrada. Desprezou o denodo dos imigrantes bem sucedidos – seu pai fugira da diáspora que matara mais de um milhão de pessoas e espalhara armênios, turcos, sírios e libaneses mundo afora. Trabalhara na Maxwell, fábrica de automóveis depois Chrysler, juntara dinheiro, fora ao Líbano, casara-se com a professora Rose e voltando aos EUA montou o básico dos imigrantes: café/restaurante/empório.
Ali se debatiam temas de cidadania, influenciando a carreira do autor, focada, cheia de graus, laudas universitárias, e o diploma de Harvard sempre grande aval de qualidade individual.

ALTA RODA COM FERNANDO CALMON



Alta Roda nº 866 — Fernando Calmon — 8/12/15









CULPA DA VELOCIDADE?




O debate sem fim sobre velocidade em vias urbanas brasileiras continua a gerar controvérsias. O trânsito aqui é perigoso, embora nem ao menos se saiba o número de mortos por ano: 38.000 (Denatran), 45.000 (Ministério da Saúde inclui fatalidades até 30 dias após o acidente) ou 60.000 (indenizações pagas pelo seguro DPVAT). Isso engloba acidentes em vias urbanas e rodoviárias.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil está em quarto lugar em número absoluto de fatalidades, pela referência Denatran. Se considerarmos que temos a quinta maior população do mundo, o quadro seria menos preocupante, não fosse a falta de registros confiáveis. O País também não cumprirá o desafio global da Organização das Nações Unidas de reduzir a mortalidade em 50% na década 2011-2020.
Alguma melhora ocorrerá. Em parte pela obrigatoriedade de freios ABS e airbags frontais desde 2014, neste caso difícil de quantificar, cuja importância não se pode ignorar. Estudos feitos no exterior recomendam velocidade máxima de 50 km/h em ambiente urbano e de 30 km/h em zonas de alta concentração de pedestres e ciclistas. Partem do princípio óbvio de quanto menor a velocidade, maior a chance de sobrevivência em caso de atropelamento. Mas também depende do grau de civilidade de cada povo ao respeitar regras e sinalização de trânsito, por exemplo.
Vias expressas são desprezadas nesses relatórios porque enfraquecem o argumento do quanto mais devagar melhor. A organização não governamental WRI Brasil apresentou uma classificação de mortos no trânsito por cada 100.000 habitantes em cidades que adotaram o limite de 50 km/h. Na ordem crescente de segurança estão Tóquio (1,7 morto/100.000), Londres (2,7), Paris (3,1), Nova York (3,5), Copenhague (3,9) e Chicago (5,9). O índice varia cerca de impressionantes 250%, apesar de a velocidade ser a mesma.
Então essas estatísticas precisam ser bem estudadas e avaliadas com isenção. Deveriam incluir tamanho e perfil da frota (motocicletas e bicicletas, mais vulneráveis) e ainda a média de distância percorrida pelos veículos, fatores que aumentam o risco de acidentes. Entre tantas variáveis envolvidas apenas a velocidade interessa? Soa estranho.
No mesmo relatório, de 2013, aparecem cidades brasileiras com limites de 60 km/h ou mais. Porto Alegre e São Paulo estavam quase empatadas com índice de 11,6 e 11,8, respectivamente. Goiânia tem menos de 5% da frota paulistana, porém registra 29,8 mortos/100.000 habitantes ou 150% acima em números aproximados. Nessa mesma categoria de velocidade de 60 km/h, Miami nos EUA mostra índice de 10 mortos/100.000 habitantes.
Velocidade em geral significa fator agravante em acidentes. Contudo, apenas se fixar nesse aspecto também gera distorções. O trânsito pesado é um natural redutor de fluxo. Limites baixos demais desprezam investimentos em vias expressas e impedem o uso pleno de acordo com as finalidades de projeto. Puro desperdício de dinheiro público. Uma visão abrangente exigiria campanhas educativas para pedestres e motoristas, raramente feitas. Afinal, estamos em um país onde há atropelamentos debaixo ou próximo de passarelas. Nada pode ser mais trágico.

RODA VIVA

COBALT 2016 ganhou agora estilo agradável, graças aos faróis, grade, lanternas traseiras e tampa do porta-malas. Nada alterado nas laterais, salvo rodas de liga leve. O primeiro, lançado há quatro anos, era um modelo de transição em termos de estilo e envelheceu rapidamente. No interior, apenas retoques e sistema multimídia evoluído em dimensões e operação.

SEM mudanças, os motores de 1,4 L e 1,8 L do Cobalt exigem atualização. Potência e consumo são incompatíveis com o espaço interno bastante generoso e porta-malas de impressionantes 563 litros típicos de sedã compacto encorpado. Estratégia de preço mudou: começa em R$ 52.990 e a nova versão Elite com câmbio automático vai a R$ 67.990. Alvo principal é Honda City.
ANFAVEA avalia que as vendas de veículos estagnaram em patamar pouco abaixo de 10.000 unidades diárias, registrado em novembro. Significa queda superior a 33% em relação aos picos de comercialização de três anos atrás, porém parar de cair já considera um alento. Estoques continuam elevados e teimam em não cair para menos de alarmantes 50 dias.