DILEMA DO PREÇO
Situação difícil do mercado garante ao consumidor, mais do que nunca, a decisão de escolher. Entre os sedãs médios-compactos trava-se uma verdadeira batalha para atrair os possíveis (e poucos) compradores. Este ano vem sendo marcado pela renovação em diferentes níveis. Começou com a atualização do Nissan Sentra, seguido pelo inteiramente novo Chevrolet Cruze. Esta semana começam as vendas da décima geração do Honda Civic. A Citroën aproveitou o embalo para lançar o C4 Lounge 2017 apenas com motor turbo de 1.6 L/173 cv (etanol), conforme antecipado pela Coluna.
As atenções concentram-se no constante desafiador ao líder Toyota Corolla. A décima geração do Civic foi muito bem recebida no mercado americano e logo assumiu a primeira posição no segmento. Não teria porque ser diferente aqui, pois o carro ficou maior, mais equipado, com bom espaço para pernas no banco traseiro, porta-malas amplo de 519 litros e estreia versão de topo, Touring, que utiliza o novo motor turbo de 1,5 L/173 cv (apenas gasolina inicialmente e flex quando for nacionalizado daqui a um ano). Além disso, o estilo – fundamental para o brasileiro – é bastante arrojado, mas dentro dos limites. Até as lanternas traseiras superdimensionadas harmonizam-se, sem chegar ao exagero.
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sábado, 27 de agosto de 2016
terça-feira, 2 de agosto de 2016
De Carro por Aí com Roberto Nasser
Honda Civic, nova geração
Honda fez redesenho geral do Civic marcando sua décima edição. Esticou, alargou, baixou o teto do automóvel, aumentou distância entre eixos, e amarrou tudo com linha mais fluidas, juntando teto à extremidade do ampliado porta malas. Cuidado especial no afinar colunas frontais. Segue tendência mundial de sedãs acupezados.
Levou o redesenho para a parte comercial por versões bem caracterizadas, em vez do caminho comum de partir da básica, mudar letrinhas e
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Pequim-Paris 2016: sem aposentadoria por idade
(Por Jason Vogel - Fotos de Gerard Brown)
Ford Modelo A 1930
Em 1907, tempo em que o automóvel ainda tinha que se afirmar como um meio de transporte confiável, foi disputada a Pequim-Paris, uma das provas de longa duração mais desafiantes da história. Não havia estradas ou postos de gasolina. Com apenas cinco carros inscritos, a corrida original foi vencida pelo enorme Itala de Scipione Borghese, príncipe da Sulmona.
Aston Martin DB6 1966
Tal marco do automobilismo vem sendo revivido, desde 1997, por grupos de apaixonados por carros clássicos, em competições que são uma mescla de rali de regularidade com desafio de resistência.
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quinta-feira, 14 de julho de 2016
Novo Focus RS
Chega ao mercado americano o novo Focus RS com motor 2.3 EcoBoost de 350 cv que possibilita que o motorista demore apenas 4,7s para atingir os 100 kmph e tem velocidade máxima de 265 kmph.
O Focus RS possui transmissão manual e tração integral com controle dinâmico de torque da Ford Performance. Ele ainda possui
segunda-feira, 13 de junho de 2016
De Carro por Aí com Roberto Nasser
Prius, em híbridos Toyota aponta o
futuro
Lançamento do híbrido Prius sinaliza
não ser apenas mais um automóvel no caminho tecnológico do futuro. Ao contrário
a Toyota, pelo produto e pela moldagem da apresentação, o quer como o veículo
para tal destino. A empresa assumiu trilha corajosa: até 2050 100% dos Toyota
elétricos, híbridos elétricos ou por célula de combustível. Para caracterizar a
pretensão de liderança tecnológica nipônica, fez apresentação em Brasília, na
Embaixada do Japão, envolvendo o corpo diplomático, executivos públicos, alguns
jornalistas especializados e, para dar certeza da importância do produto, o
peso da estrutura diretiva da empresa. Mark Hogan, único não japonês no board mundial; Steve St Angelo, CEO para a América Latina, Koji Kondo,
e Miguel Fonseca, presidente e vice da Toyota no Brasil.
Prius é o mais vendido híbrido do
mundo, em quarta geração, superando 5,7 milhões de unidades entregues. Emprega
motor elétrico gerando 72 cv e outro a gasolina, 1,8 de restritos 98 cv para
faze-lo mover-se na arrancada. Para recarregar a bateria, colocada sob o banco,
o sistema de desaceleração e freios se encarrega de gerar energia. Ou ligação
em tomada de parede.
Modelo atual é feito sobre a nova
plataforma TNGA, com ela conseguindo menor altura, mais largura e espaço
interno, num desenho eficiente: com CX de 0,24 é o sedã mais aerodinâmico do
mundo. O pacote o rotula com o mais econômico no mercado brasileiro, fazendo
próximo a 20 km/litro.
Visual intencionalmente
futurista, grupo óptico em LEDs espraiando-se pelos para lamas, interior com
instrumentação central, tela de 17,5 cm, multi mídia, GPS, câmera de ré, som. Head
up display, o projetor de informações no para brisas, facilita a condução.
Confortos à altura, como volante multi função, ar condicionado com duas zonas e
sensor para concentrar fluxo nos lugares ocupados. Sete almofadas de ar –
frontais, laterais, joelho -, sensor para abertura de portas. Enfim o pacote de
confortos a cada dia mais rico.
Preço incentivado, sem correção de
dólar, R$ 119,950 pretende conseguir 600 clientes com espírito ecológico neste
ano.
Prius
Puma Alface (...), o carro do Mohammad Ali
Conta simples, some o fato insólito, o
descompromisso nacional em buscar informações, seu disseminar como se tivesse
fé pública. O resultado sempre dará em estórias, versões, trocando a falta de
essência histórica pelo ágil inventar. O Puma Alface é uma delas.
Conto. É confusão fonética. Referido Alface é o modelo
Al Fassi, criado em 1987 sobre o Puma-018 para ser vendido na Arábia Saudita.
Amarração do desenvolvimento do produto, desenho comercial e exportação
liderada pelo festejado e nascido Cassius Clay, 1942, e ora desaparecido sob o
nome muçulmano de Muhammad Ali. Aventura automobilística triangular, ligando
Curitiba, Pr, Brasil; Houston, Texas; e a Arábia Saudita.
Operação fugaz, mais lembrada pela confusão
iletrada.
Como
Lembrar-se-ão interessados na história dos
veículos, o Brasil sempre aplicou, sem imaginação, um cadeado aos portos,
inibindo importações, em especial de automóveis – a ideia vesga continua,
desprezando a competição do mercado e a competitividade nos custos. Tal muro
fez surgir fórmula de juntar carroceria de uma empresa; plataforma mecânica de
outra; e produto final como veículo especial, de nicho. A Puma era referência
neste caminho. Atrevida, exportou para os EUA, Europa, teve linha de montagem
na África do Sul, fez-se conhecida como produtora de esportivo charmoso e
barato. Mas na década de ’80 inviabilizou-se, saindo do negócio, cedendo o de
fazer, direitos e nome a empresa paranaense, a Araucária, conduzida por Rubens
Maluf. O corcoveio da economia nacional, os seguidos planos econômicos, o
governo Sarney à base do deixa rolar para o tempo decidir, levaram quase todos
os empreendedores ao fim. A Puma tomava este caminho triste.
Entretanto Kevin Haynes, seu representante nos EUA,
preocupado com o fenecer do negócio, era amigo do advogado de Muhammad Ali,
aposentado como pugilista vencedor, e interessado em aumentar sua renda. Com
alguns contatos montaram a fórmula: Ali viria ao Brasil; combinaria o negócio
com a Puma; criariam versão a partir do existente. Seria exportado aos EUA onde
receberia motor, transmissão e freios do Porsche 911 e, de lá, mandado à Arábia
Saudita.
O novo Puma teve sobrenome adicional: seria Puma
Al Fassi – de Muhammad Al Fassi, dito Sheik sem sê-lo, controvertido
bilionário marroco-saudita e destinatário final dos carros exportados,
administrador da fortuna do cunhado, o Príncipe Turkin bin Abdul Aziz, irmão do
Rei Saudita Fahd al Saud. E outro pedúnculo: by Mohammad Ali, aval
do pugilista com renome mundial.
Para frente
Felipe Nicoliello, editor do bom sítio Pumaclassic,
confirma a operação. Muçulmano Ali, então aos 45, veio ao Brasil com seu
advogado judeu Richard Hirschfield, um consultor de negócios, e um engenheiro
de automóveis. Parte legal, moldaram uma companhia, The Ali Vehicle
Industry, para formar joint venture com a fabricante do
Puma, a Araucária Veículos, e uma importadora dos EUA, a Inter American Ltd.
Quanto ao produto, em corrida de 21 dias grupo
decidiu e criou restrita pré série de duas unidades sobre o modelo P-018
conversível: desenhos, projetos, moldes, ferramentas, adaptações, foram
desenvolvidos e viabilizados para atender ao cliente capaz de garantir sua
sobrevivência econômica. Um recorde para pequena empresa em dificuldade.
Mudanças foram sutil alargamento na carroceria; para lamas frontais com faróis
retangulares, e na tampa traseira. Internamente re arranjo buscando mais
espaço; aposição de painéis de madeira para valorizá-lo.
Conta a paranaense Gazeta do Povo Ali
dispendeu o período em Curitiba, dando expediente na fábrica, sugestões,
acompanhando até exportá-las à Arabia Saudita.
A Araucária respirou esperança ante o traçado
inicial de vendas – entre 400 a 1440 unidades – para esse, faturamento de US$
36M, - US$ 25 mil/cada.
Para trás
O tempo drenou expectativas. Polêmico Mohammad Al
Fassi, residindo na Arábia Saudita, além de comportamento anti social, gastando
US$ 2M anuais apenas em roupas, sustentando uma assessoria com 75 pessoas,
cometeu a impropriedade de apoiar o ditador Sadam Hussein, sendo obrigado a
correr para os EUA com suas quatro mulheres, filhos e boa parte de bens móveis,
incluindo dois Boeing 707. Teve vida curta, morreu aos 50 anos, em 2002.
A tentativa de trabalhar para ganhar dinheiro
perdeu fôlego e interesse, e a desistência abalou o trêfego caixa da Araucária,
já penalizada pelo mercado ruim, descapitalizada pelos investimentos para
modificar o produto, no investir em estrutura e estoque para atender à
encomenda. Tropicou e foi comprada pelo fabricante de auto peças Nívio de Lima
transformando-a em Alfa Metais, reatando produção. Faleceu precocemente,
cessando a produção do Puma.
Com a mudança de vida de Mohammad Al Fassi, feneceu
o ponto terminal, Ali refluiu, incluindo outra vertente tentada, com a gaúcha
Aldo Auto Capas, fabricante do também pretensamente esportivo Miura.
Último
Da contida pré série, derradeira carroceria Puma Al
Fassi 003, então preparada por precaução, relata Nicoliello, ficou guardada de
1987 até 2009, quando Rubem Rossato, diretor da Araucária ao tempo do negócio
com Ali, decidiu completá-la. Com auxílio de ex-funcionários do projeto,
finalizaram-na, como foram as duas primeiras e exclusivas unidades exportadas
para a Arábia Saudita, transformando-a em raridade. Dos Al Fassi exportados,
supõe-se existir um remanescente.
Puma Al Fassi – aqui dito
Alface
Identificação
Interior refinado, com madeira
Roda-a-Roda
Aqui – Renault quer aproveitar surgimento de serviços de
transporte individual, como o Uber, para mostrar as vantagens do Logan – espaço
interno, resistência, baixa manutenção. Iniciará movimento em breve.
PSA – Carlos Tavares, número 1 da PSA – Peugeot, Citroën,
DS, disse a jornalistas argentinos lançar no Mercosul 17 novos produtos das
três marcas. DS é a marca de luxo e terá lojas no Brasil.
Lucros – E informou ter revertido a posição de
prejuízo, operando com lucro.
Atrativo – No pacote de incentivo às vendas de seu
utilitário esportivo F-Pace, Jaguar criou facilidades: recompra em 24 meses;
seguros a 3,88% do valor; pacote de revisões à base de R$ 1 mil/ano.
Dúvidas – Em recente e privada reunião Ford apresentou seu
novo motor 1,0 3-cilindros, turbo – o Ecoboost -, 125 cv e 173 Nm de torque,
mais potente 1,0 na área do Mercosul. Outros 1,0 Turbo, o Hyundai e VW fornecem
105 cv.
Equação - Entretanto não será nem o mais rápido ou
reativo. Ford diz, Fiesta acelera de 0 a 100 km/h em 9,6s. Apesar de menor
potência e torque, mais leve, o up! vai da imobilidade aos 100 km/h em 9,5s.
Comparativo – Apresentando seu picape S10, GM
fez comparação direta. Começou com o líder HI-LUX Toyota em filmagem de
capacidade de ultrapassagem realizada no autódromo Velo Citá em Mogi Guaçu.
Mais uma – Jaguar Land Rover ajustou data de inauguração de
fábrica em Itatiaia, RJ: 17, sexta. Não informou a extensão das intervenções
industriais. Fábrica pequena, dentro do programa Inovar-Auto, para 18 mil
unidades/ano.
Queda – Atualizando testes de impactos e danos a ocupantes,
LatinNCAP submeteu Kia Picanto e Peugeot 208. Kia em versão não vendida no
Brasil, sem almofadas de ar. Levou nota Zero. Peugeot 208, aqui feito, versão
básica, decresceu.
Economia - Em 2014 obteve 4 estrelas para proteção de
adultos e 3 para crianças. Novo teste incluiu impacto lateral e resultado
piorou pois as barras de proteção foram suprimidas. Entidade não governamental
quer padronização internacional dos itens de segurança para reduzir danos
físicos em batidas.
Láurea – Prêmio Consumidor Moderno indicou
Mercedes-Benz pelo 15o ano como melhor central de relacionamento com
cliente de automóveis. Para caminhões, sétima vez. Em 2016 inovou: diretores em
rodízio no telemarketing para ouvir clientes, projeto do presidente Philipp
Schiemer de integrar a empresa aos usuários.
Solução – Ante queda de vendas do mercado de carros
novos, CAOA, revendedora de Hyundai, Ford e Subaru, criou lojas para semi
novos. Goiânia, Campinas, S Paulo e pretensões de inaugurar mais 12 em 2016,
intenta superar 24 mil vendas. Diz garantir melhor preço, qualidade e
procedência.
Festa – Gostas do clima de convívio com
outros aficionados, e do friozinho colonial de Tiradentes em julho? Vá
ao XXIV Bikefest, 22 e 26 de junho. Aguardam-se 18 mil pessoas em torno de
motos clássicas e off road. Mais ? www.productioneventos.com.br
Antigos – Foi-se Jarbas Passarinho, coronel, ex-governador,
ministro, senador. Para antigomobilistas, figura importante. Ministro da
Justiça, entendeu impossibilidade de o Contran, Conselho Nacional de Trânsito,
criar o requerido conceito de Veículo de Coleção, avalizou-o ao
Presidente da República. Deu certo.
Estratégia – 18 e 19 de junho Porsche levará pela 3a
vez seu modelo 919 às 24 Horas de Le Mans, mais charmosa da provas de
resistência. Quer defender título de campeã, fazer pontos para o campeonato de
Endurance FIA.
Por dentro - Disputa de engenharia e pilotagem para
atingir resultado de marketing, tem ingrediente importante: planejamento.
Levantar cenários de disputa, resultados parciais e opções, paradas de
reabastecimento, volume, consumo, distâncias.
Gente – André Barros e Marcos Rozen, jornalistas, deixaram
a agência AutoData. OOOO
Competentes, premiados, Barros quer ficar no setor. Rozen, tocar seu MIAU,
digital Museu da Indústria Automobilística. OOOO Matheus Barral,
universitário, 19, premiado. OOOO Vencedor do Alan Mullaly
Liderança em Engenharia, certame internacional bancado pela Ford com o nome do
presidente que anteviu e criou solução para sobreviver à crise de 2009. OOOO Barral
levou US$ 10 mil para auxiliar seus estudos. OOOO Juan Carlos Rodrigues,
argentino, engenheiro agrônomo, reconhecido. OOOO Terceiro filho do
penta campeão Juan Manuel Fangio. OOOO Sentença judicial, por
recentes exames de DNA. OOOO Patrimônio material vem sendo reduzido
pelos sobrinhos, incluindo venda de veículos históricos. OOOO
sábado, 23 de abril de 2016
Ranger 2017: a Raça Forte indo com tudo pra cima da concorrência
A Ranger 2017 chega com novo design, novo sistema de
conectividade, recursos de segurança inéditos na categoria de picapes, dois
motores diesel 3.2 e 2.2 e um flex e cinco anos de garantia.
Nas versões XLS, XLT e Limited,
domingo, 17 de abril de 2016
De carro por aí com o Nasser
Mobi, o Fiat urbano
Primeiro produto criado pós fusão entre as marcas
tuteladas por Fiat e Chrysler, o Mobi se auto define como carro urbano e
funcional. Descrição correta. Menor dentre os Fiat e atualmente o mais leve
entre os nacionais com 907 kg, novo produto utiliza plataforma mista, entre
Novo Uno e Palio, e suspensão traseira do Uno. Mecânica conhecida das ásperas condições
nacionais, transmissão de cinco marchas, retocado motor Fire 1.0, 75 cv, com
pistões menor abrasão, e novas galerias de óleo para consumo menor e
durabilidade maior.
Segundo a parte Fiat da FCA o automóvel responde às
demandas apuradas em pesquisa – mobilidade urbana; mecânica resistente; barata
para manter; baixo custo de manutenção. Enquadra-se na Faixa A de
consumo - de menor gasto.
É menor mas não é pobre em construção. Easy, versão
de entrada, não tem aparência de carro pelado, apresentando-se com
para choques pintados na cor do carro e o charme da tampa traseira em vidro
temperado. Exibe democratização da tecnologia, com uso do ESS, piscador de
luzes de freio quando pressionado severamente, sinalizando a emergência a
motoristas a segui-lo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Alta Roda com Fernando Calmon
CORRIDA PELO CONSUMO
O clima em sentido figurado do Salão do Automóvel de Paris –
que vai até 19 de outubro – estava tão morno como a temperatura externa em
torno dos 24 °C da semana passada. De fato, não há tantas novidades, mas o que
está sendo apresentado tem bastante relevância. Mais do que isso, os governos
europeus continuam a empurrar os fabricantes na direção do menor consumo de
combustível e, por consequência, redução de emissão de gás carbônico (CO2).
Na França há uma desafio governamental para os carros novos
convergirem para 50 km/l ou 2 L/100 km com motores a gasolina
preferencialmente. Citroën, Peugeot e Renault apresentaram modelos ainda
experimentais, embora o novo Passat GTE híbrido plugável (bem mais caro) tenha
estreado no salão com credenciais para alcançar 1,6 L/100 km no específico ciclo
europeu de consumo. Bem interessante é o Renault Eolab, carro-laboratório que
promete 100 km/l (gasolina) no futuro, diferença de apenas 10% em relação ao VW
XL1 a diesel, um 2-lugares vendido sob encomenda por estratosféricos R$ 340.000.
Mais um carro esporte superlativo abraçou a “causa” híbrida.
O Lamborghini Asterión, para quatro passageiros, desenvolve 910 cv com a ajuda
de três motores elétricos. No outro extremo, com motorização convencional
(versão elétrica em 2015), fica o minúsculo novo smart ForTwo 2-lugares,
acompanhado pelo ForFour de quatro lugares. MINI também resolveu esticar seu
tradicional modelo de 2 portas para abrigar outras duas laterais, que tiraram a
pureza de linhas do modelo. Audi igualmente surfou nessa onda com o Audi TT de
quatro portas, por ora, apenas conceitual.
Monovolumes, lançados há 30 anos, continuam a sofrer forte concorrência
de SUVs e crossovers e precisam se reciclar. Casos do Mercedes-Benz Classe B e
do Ford S-Max (arquitetura Fusion/Mondeo). Renault reagiu com o novo Espace, agora
mais crossover do que monovolume. Peugeot exibiu sua proposta para um futuro
“quase-SUV”, o Quartz. Citroën, por sua vez, preferiu apresentar o Divine DS, guia
conceitual para a submarca que terá seis versões (hoje, três), inclusive SUV.
Paris marcou a estreia do Fiat 500 X de mesma arquitetura do
futuro pernambucano Jeep Renegade. Pena que o 500 X não será feito aqui, pois exibe
linhas bem mais elegantes e suaves. Dois estreantes do Grupo JLR despertam especial
interesse para produção no Brasil: Land Rover Discovery Sport (sucessor do
Freelander) para até sete passageiros e Jaguar XE de tração traseira e muitas
partes em alumínio.
Entre outros lançamentos mundiais destacaram-se as novas
gerações do BMW X6 e Suzuki Vitara a serem importados em 2015.
Praticamente todos os executivos de topo costumam estar nos
grandes salões internacionais. Dieter Zetsche, da Daimler, afirmou a essa
coluna que a nova fábrica de Iracemápolis (SP) não ficará “amarrada” a apenas
dois produtos, dando a entender que outros (como o hatch Classe A) estão nos
planos. Carlos Tavares, da PSA Peugeot Citroën, acenou que a linha nova de motores
poderia incluir versão de 1 litro como decisão pragmática e confirmou ampliação
da linha DS importada da China ou da França. Carlos Ghosn, da Renault Nissan,
disse estar impressionado com a competitividade da produção no México.
RODA VIVA
ESTE ano está
mais difícil que o esperado em termos de vendas (exportações terão queda ainda
maior em razão da crise argentina). Média diária de julho a setembro cresceu 4%
em relação ao primeiro semestre, porém longe de compensar resultados negativos.
Estoques totais do mês passado davam para 41 dias de comercialização ou 20%
acima do máximo aceitável.
PESQUISA da
Anfavea demonstra forte interiorização do mercado brasileiro no últimos seis
anos (2007 a 2013). Ao contrário do pensamento corrente, grandes capitais têm
frotas verdadeiras (não as teóricas informadas pelo Denatran) acrescendo a
ritmo muito lento. No caso de São Paulo mal consegue acompanhar o crescimento
vegetativo da população, já bem baixo.
DUSTER reestilizado
aparece no final do mês no Salão do Automóvel de São Paulo, mas a coluna apurou
que início de produção só em fevereiro de 2015, seguido pela aguardada versão
picape seis meses depois. Quanto ao SUV compacto Captur (projeto HHA), esperado
para início de 2016, não é o modelo francês baseado no novo Clio. Aqui sua base
será a mesma do Duster.
FIAT adiou, mas
não desistiu de desenvolver motor de três cilindros – hoje só os de quatro e de
dois cilindros existem no portfólio da marca. Essa falha de planejamento, em
especial para o Brasil, será sanada com o projeto GSE, ainda sem data. Já a GM
insiste: sem planos para um 3-cilindros aqui, embora exista na Europa.
ESTUDOS da Ford
para produzir na Argentina o utilitário esporte Everest, com mesmo chassi da
picape Ranger, não chegaram ao ponto de se transformar em plano primário. Com a
situação econômica e política cada vez mais difícil no país vizinho, a ideia
foi descartada. O Kuga então, SUV construído com base no Focus, nem pensar.
sábado, 13 de setembro de 2014
No tempo em que o trivial era luxo - por Jason Vogel
Itens que hoje são comuns já foram anunciados como grandes inovações.
Você acha os carros atuais pouco equipados? Torce o nariz para anúncios que apresentam Bluetooth como vantagem e pensa que todos os automóveis já deveriam trazer este tipo de conectividade? Pois pesquisar a publicidade de um passado remoto traz surpresas. Em propagandas com muito texto e nenhuma fotografia (apenas ilustrações), vemos que características técnicas hoje triviais já foram vendidas como enormes vantagens. Mostramos aqui alguns reclames publicados em O GLOBO entre meados dos anos 20 e o início dos anos 50.
Um dos anúncios mais surpreendentes é o que alardeia o Chevrolet 1929 como "completamente equipado e prompto para a estrada". Leia-se: o carro trazia um estepe, dois para-choques, quatro amortecedores e... nem era preciso pagar a mais por estes itens!
Já a eterna rival Ford apregoava "freios nas quatro rodas" e "fechaduras contra roubos" como grandes vantagens ao lançar seu Modelo A, em 1928. Explica-se: em seu antecessor, o Modelo T, os freios atuavam apenas no eixo traseiro. Trancar o carro com chave era novidade — em geral, uma travinha tipo pino bastava.
Avançamos um pouco no tempo e encontramos um anúncio do Chevrolet Pavão 6, de 1933. Um de seus modernos apelos era o "controle de ventilação", algo que, mais tarde, chamaríamos de quebra-vento. Segundo o texto, esta "innovação" evitava a entrada de vento e chuva "sem prejudicar a ventilação ou provocar resfriados".
Outro detalhe no mesmo reclame do Chevrolet 1933 chama a atenção: é o "octane-selector", que permitia alterar o ponto de ignição para obter o melhor rendimento com combustíveis de diferentes qualidades — "mesmo o álcool-motor", enfatizava. Era praticamente um flex da Era Vargas, quando houve esforço para estimular o uso do etanol misturado à gasolina.
Carros com tração dianteira e motor transversal hoje são imensa maioria. Mas, em 1938, ainda eram uma excentricidade técnica que precisava ser bem explicada. A alemã DKW, pioneira no assunto, descrevia como "systema de tracção dianteira, sem eixo transmissor. Motor, embreagem e differencial num bloco único". Mas a ênfase do anúncio era a economia, já que o carro conseguia fazer frugais 14km/l.
Falando em transmissão, a Oldsmobile publicou uma "Apresentação especial" de seu modelo 1946 com câmbio automático — novidade que gerava desconfianças e ainda levaria décadas para ser bem aceita no Brasil. O nome "Hidramático" vinha do pioneiro sistema "Hydra-Matic", marca registrada da General Motors. E o texto exclamava: "elimina completamente o pedal de embreagem!".
Ainda na euforia do pós-guerra, chegaram ao Brasil os primeiros Jeep para civis, em 1947. Para explicar a novidade ao público, esses veículos eram expostos nas lojas de forma inusitada: içados por uma corrente, de maneira que os clientes pudessem ver que havia diferencial não apenas no eixo traseiro como também no dianteiro.
E, nas ilustrações das propagandas publicadas por aqui, o "carro mais útil do mundo" também era mostrado meio de baixo. "A propulsão nas quatro rodas garante-lhe segurança de tração nos campos". Como fora de estrada não era brincadeira de fim de semana, o anúncio sugeria as funções do Jeep: "Ara a terra, destorrôa, semeia, ceifa, colhe, pulveriza pomares...".
A construção das carrocerias também era citação comum na publicidade. Primeiro nos anos 20 e 30, quando as estruturas de madeira foram substituídas por armações de metal. Depois, em 1949, a Nash passou a alardear um pioneirismo: o monobloco. Chassi e carroceria passavam a formar um só corpo, que a marca chamava de "Uniscópio". As vantagens, segundo o texto, eram um carro mais seguro, com mais espaço e visibilidade.
A carioca Bramocar, que importava os ingleses Morris, passou a trazer da Alemanha, no início dos anos 50, o compacto Goliath GP700 com "injeção de combustível na câmara de explosão". Sim: este foi o primeiro automóvel do mundo com injeção de gasolina diretamente na câmara de combustão, uma tecnologia desenvolvida pela Bosch.
Curiosamente, na propaganda de 1954, essa informação está perdida entre os dados do modelo. Passados 60 anos do anúncio do pequeno Goliath, vivemos tempos de "downsizing" de motores e os fabricantes alardeiam a injeção direta como uma avançada solução tecnológica.
Você acha os carros atuais pouco equipados? Torce o nariz para anúncios que apresentam Bluetooth como vantagem e pensa que todos os automóveis já deveriam trazer este tipo de conectividade? Pois pesquisar a publicidade de um passado remoto traz surpresas. Em propagandas com muito texto e nenhuma fotografia (apenas ilustrações), vemos que características técnicas hoje triviais já foram vendidas como enormes vantagens. Mostramos aqui alguns reclames publicados em O GLOBO entre meados dos anos 20 e o início dos anos 50.
Um dos anúncios mais surpreendentes é o que alardeia o Chevrolet 1929 como "completamente equipado e prompto para a estrada". Leia-se: o carro trazia um estepe, dois para-choques, quatro amortecedores e... nem era preciso pagar a mais por estes itens!
Já a eterna rival Ford apregoava "freios nas quatro rodas" e "fechaduras contra roubos" como grandes vantagens ao lançar seu Modelo A, em 1928. Explica-se: em seu antecessor, o Modelo T, os freios atuavam apenas no eixo traseiro. Trancar o carro com chave era novidade — em geral, uma travinha tipo pino bastava.
Avançamos um pouco no tempo e encontramos um anúncio do Chevrolet Pavão 6, de 1933. Um de seus modernos apelos era o "controle de ventilação", algo que, mais tarde, chamaríamos de quebra-vento. Segundo o texto, esta "innovação" evitava a entrada de vento e chuva "sem prejudicar a ventilação ou provocar resfriados".
Outro detalhe no mesmo reclame do Chevrolet 1933 chama a atenção: é o "octane-selector", que permitia alterar o ponto de ignição para obter o melhor rendimento com combustíveis de diferentes qualidades — "mesmo o álcool-motor", enfatizava. Era praticamente um flex da Era Vargas, quando houve esforço para estimular o uso do etanol misturado à gasolina.
Carros com tração dianteira e motor transversal hoje são imensa maioria. Mas, em 1938, ainda eram uma excentricidade técnica que precisava ser bem explicada. A alemã DKW, pioneira no assunto, descrevia como "systema de tracção dianteira, sem eixo transmissor. Motor, embreagem e differencial num bloco único". Mas a ênfase do anúncio era a economia, já que o carro conseguia fazer frugais 14km/l.
Falando em transmissão, a Oldsmobile publicou uma "Apresentação especial" de seu modelo 1946 com câmbio automático — novidade que gerava desconfianças e ainda levaria décadas para ser bem aceita no Brasil. O nome "Hidramático" vinha do pioneiro sistema "Hydra-Matic", marca registrada da General Motors. E o texto exclamava: "elimina completamente o pedal de embreagem!".
Ainda na euforia do pós-guerra, chegaram ao Brasil os primeiros Jeep para civis, em 1947. Para explicar a novidade ao público, esses veículos eram expostos nas lojas de forma inusitada: içados por uma corrente, de maneira que os clientes pudessem ver que havia diferencial não apenas no eixo traseiro como também no dianteiro.
E, nas ilustrações das propagandas publicadas por aqui, o "carro mais útil do mundo" também era mostrado meio de baixo. "A propulsão nas quatro rodas garante-lhe segurança de tração nos campos". Como fora de estrada não era brincadeira de fim de semana, o anúncio sugeria as funções do Jeep: "Ara a terra, destorrôa, semeia, ceifa, colhe, pulveriza pomares...".
A construção das carrocerias também era citação comum na publicidade. Primeiro nos anos 20 e 30, quando as estruturas de madeira foram substituídas por armações de metal. Depois, em 1949, a Nash passou a alardear um pioneirismo: o monobloco. Chassi e carroceria passavam a formar um só corpo, que a marca chamava de "Uniscópio". As vantagens, segundo o texto, eram um carro mais seguro, com mais espaço e visibilidade.
A carioca Bramocar, que importava os ingleses Morris, passou a trazer da Alemanha, no início dos anos 50, o compacto Goliath GP700 com "injeção de combustível na câmara de explosão". Sim: este foi o primeiro automóvel do mundo com injeção de gasolina diretamente na câmara de combustão, uma tecnologia desenvolvida pela Bosch.
Curiosamente, na propaganda de 1954, essa informação está perdida entre os dados do modelo. Passados 60 anos do anúncio do pequeno Goliath, vivemos tempos de "downsizing" de motores e os fabricantes alardeiam a injeção direta como uma avançada solução tecnológica.
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