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sábado, 22 de outubro de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon


EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Talvez a melhor imagem para explicar as interações entre as crises políticas e econômicas que assolam os países seja a de uma dupla nos ralis. O piloto pode fazer o papel dos políticos e governantes, enquanto o navegador representa a economia. Quanto o navegador diz “freada forte e curva acentuada à direita”, por exemplo, ai do piloto que não confiar. O carro vai se acidentar e termina tudo ali.

Durante o congresso Perspectivas 2017, realizado recentemente em São Paulo pela Autodata, mais de um palestrante bateu nessa tecla. Não se resolvem problemas de recessão, desemprego, baixo índice de confiança e financiamentos difíceis sem obediência ao “navegador”. O conhecido código tulipa das planilhas de ralis significa as leis de mercado. Não dá para sair dessa trilha e achar que ganhará a prova.

Faltou consenso sobre a velocidade de retorno do carro à competição, depois de consertado. A começar por Letícia Costa, da consultoria Prada, que previu algo entre crescimento zero e até 5%. Ela mesma se classificou como cautelosamente otimista. Rogélio Golfarb, da Ford, lembrou que pela primeira vez o mercado de veículos cai por quatro anos seguidos (2013-2016), totalizando 46%. A crise de 1980-1981, com menos 43%, custou um período de 12 anos para recuperação.

Momento atual é dramático, pois pegou todos os fabricantes, novos e antigos, no fim de um ciclo de altos investimentos em capacidade produtiva. A ociosidade de 50% (considerando três turnos de produção) cairá lentamente nos próximos anos. A fase de lucros se transformou em prejuízos. Há alguns ventos a favor: melhora da confiança, recuo da inflação e da taxa de juros básica e crescimento do PIB em 2017.

Barry Engle, da GM, não se intimidou. Acha possível crescer entre 12 e 14% no próximo ano, acima da melhor previsão até agora, a da Anfavea, que acenou com uma subida em torno de 8%. Entre os motivos do otimismo citou o rápido envelhecimento da frota brasileira. Pode não valer mais a pena deixar de trocar o carro, em especial se sinais políticos positivos se confirmarem.

Para David Powels, da Volkswagen, só marcas muito pequenas desistiram do Brasil. Entre 2017 e 2019 terá quatro modelos do segmento compacto com a arquitetura mais moderna do Grupo VW, que encerrou o primeiro semestre deste ano como líder mundial em vendas. Esses carros ainda não existem nem na Alemanha. Os produtos esperados são Gol, Voyage, Parati e um novo crossover que possivelmente se chame Fox.

Talvez a empresa a sentir menos a crise brasileira destes anos, Miguel Fonseca afirmou que a Toyota olha uma década à frente. Foi além: em 2030 acredita que 40% dos carros da marca, aqui vendidos, serão híbridos com motores flex.

Stefan Ketter, da FCA, discorreu sobre as dificuldades de prever o ritmo de recuperação no próximo ano. Acredita, porém, que em 2020 podemos voltar aos três milhões de veículos comercializados, ainda distantes dos 3,8 milhões de 2012.

Em resumo, o País enfrenta sérios problemas de produtividade e ineficiência decorrentes de infraestrutura, burocracia e cipoal tributário. Precisa voltar a ser competitivo na exportação e mais aberto ao mundo. Quem sabe, um dia ganharemos esse rali.

RODA VIVA

APENAS aqui repercutiu de forma tão forte uma pequena nota da revista alemã Der Spiegel, dando conta de que a Alemanha proibiria fabricar carros com motores a combustão depois de 2030. Pura bobagem. Não passa de uma proposta que nem foi aprovada no Parlamento e também depende de acordo com a União Europeia. Chance de acontecer nesse prazo: zero.

ENQUANTO movimentações e apelos contra os combustíveis de origem fóssil ocorrem, em especial na Alemanha, continuam as indefinições sobre o etanol (praticamente neutro em termos de pegada de carbono) no Brasil. Stefan Ketter, presidente da FCA, voltou a chamar a atenção para essa oportunidade desperdiçada durante o Congresso Perspectivas 2017.

IMPENSÁVEL há uma década, câmbio automático chegou às picapes compactas com a Duster Oroch. Combinado apenas ao motor 2-litros, a picape anabolizada da Renault, primeira de quatro portas entre as pequenas, vai bem no para-e-anda do trânsito. Mesmo tendo apenas quatro marchas, nesse tipo de veículo apresenta comportamento razoável.

FARÓIS principais em LED prometem novos avanços. Hoje estão limitados porque os emissores de luz são individuais, precisam estar agrupados e ocupam espaço só disponível em carros grandes. Agora começam a aparecer os primeiros chips com 1.024 pontos controláveis de luz. Resultado: resolução ainda maior, sem risco de ofuscamento e dimensões bem menores.

PICAPES de cabine dupla com aros e pneus bem caros têm sido alvos de quadrilhas. Levantam o veículo pela lateral com ajuda de um macaco, retiram duas rodas e vão embora deixando o macaco para trás. Atacam à luz do dia e total destemor. Pior do que o furto é saber que há receptadores fáceis de encontrar, os grandes “espertos” nesse tipo de crime.
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sábado, 27 de agosto de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

DILEMA DO PREÇO

Situação difícil do mercado garante ao consumidor, mais do que nunca, a decisão de escolher. Entre os sedãs médios-compactos trava-se uma verdadeira batalha para atrair os possíveis (e poucos) compradores. Este ano vem sendo marcado pela renovação em diferentes níveis. Começou com a atualização do Nissan Sentra, seguido pelo inteiramente novo Chevrolet Cruze. Esta semana começam as vendas da décima geração do Honda Civic. A Citroën aproveitou o embalo para lançar o C4 Lounge 2017 apenas com motor turbo de 1.6 L/173 cv (etanol), conforme antecipado pela Coluna.

As atenções concentram-se no constante desafiador ao líder Toyota Corolla. A décima geração do Civic foi muito bem recebida no mercado americano e logo assumiu a primeira posição no segmento. Não teria porque ser diferente aqui, pois o carro ficou maior, mais equipado, com bom espaço para pernas no banco traseiro, porta-malas amplo de 519 litros e estreia versão de topo, Touring, que utiliza o novo motor turbo de 1,5 L/173 cv (apenas gasolina inicialmente e flex quando for nacionalizado daqui a um ano). Além disso, o estilo – fundamental para o brasileiro – é bastante arrojado, mas dentro dos limites. Até as lanternas traseiras superdimensionadas harmonizam-se, sem chegar ao exagero.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon


CARRO BÁSICO VOLTARÁ?

A atual crise do mercado brasileiro levou a mudanças no comportamento dos consumidores. Para a maioria dos analistas o grau de exigência dos compradores aumentou e o tempo dos carros básicos (também chamados de “pelados”) terminou. Pode não ser bem assim.

Atualmente quase todos os modelos vendidos ao cliente final (varejo) têm ar-condicionado. Porém, se explica pelo clima do país, as horas passadas em congestionamentos e, em especial, o poder aquisitivo de quem conseguiu manter sua renda nesses tempos de severa retração econômica, nunca vista antes com esse grau de intensidade em dois anos seguidos.

O chamado tíquete médio de venda subiu mais de 20% no acumulado de quase 24 meses consecutivos de mergulho do mercado. A parcela de pessoas que compravam o primeiro carro zero-quilômetro, depois de anos restrita a modelos usados por força de sua menor renda e da falta de boas condições de financiamento, foi reduzida drasticamente desde 2014. Houve forte migração para a parte baixa da pirâmide social.

Esse, aliás, é um ciclo que se repete. Na crise dos anos 1980, por três vezes seguidas o modelo mais vendido no país foi o Chevrolet Monza, um médio-compacto equivalente hoje ao Cruze, Corolla ou Civic. Naquela época os modelos de entrada também sofreram forte retração, mas parte desse resultado se deveu a Fusca e Gol terem convivido por seis anos. Agora, apesar de o mercado continuar dominado por modelos compactos, o Corolla aparece em sexto lugar. Não chega a ser uma surpresa.

Outro fenômeno aliado a variações de poder aquisitivo envolve os modelos de 1 litro de cilindrada. Com o IPI mais baixo desde 1990, os compradores exauridos financeiramente concentraram neles suas preferências, mesmo com potência inadequada para a maioria dos carros da época. Em 2001 representaram nada menos de 70% dos automóveis vendidos e, no ano passado, esse percentual caiu para 34%. Isso ocorreu mesmo com a grande evolução de desempenho e a chegada de motores modernos de três cilindros.

Há, entretanto, o fenômeno de crescimento dos SUVs compactos em que o propulsor de 1 litro de aspiração natural não mostra adequação. Já entre os hatches que oferecem também motores acima de 1 litro, os de menor cilindrada reinam: Uno, 85%; Ka, 84%, Palio, 80%, Gol, 67%, HB20, 65%, Sandero, 65% e Onix, 61%. Esses compradores preferem adquirir um carro com mais itens de conforto a um preço menor. Trocam potência por equipamentos.

Quando o mercado retornar ao patamar de quatro milhões de unidades anuais (incluídos veículos leves e pesados), que muitos esperam só ocorrer em 2022 ou 2023, podem voltar aqueles que perderam a oportunidade de sair de um modelo usado para um novo. Economia estabilizada e em crescimento autossustentável, baixa inflação, financiamentos a juros menores e empregos seguros formarão o cenário ideal para atrair compradores de carros básicos.

Eles não se importam com rodas de liga leve ou vidros, espelhos e travas elétricos. Talvez abram mão até do ar-condicionado. O sonho do carro zero-quilômetro poderá recuperar uma oportunidade perdida com tantos erros de gestão econômica nos últimos anos.

RODA VIVA

CORREU pelo mundo a notícia de que a Noruega iria banir a comercialização de automóveis com motores de combustão interna a partir de 2025. O governo norueguês acaba de desmentir, informa a agência Reuters. O país continuará a incentivar tecnologias mais limpas até uma substituição natural, sem prazos. Parte de sua grande riqueza vem do petróleo.

PARA atender a legislação de eficiência energética, a GM estendeu ao motor de 1,8 L do sedã Cobalt 2017 as mudanças apresentadas nos 1,0 L e 1,4 L de Onix/Prisma. Câmbio manual também passou de cinco para seis marchas. Além do ganho de 3 cv (agora, 111 cv) e 0,6 kgfm (para 17,7 kgfm), peso diminuiu em 36 kg. Consumo chega a 15,1 km/l com gasolina (estrada). Preços: R$ 62.190 a 68.990.

MONOVOLUME Spin, mais alto e pesado, exigiu alterações adicionais. Motor é o mesmo do Cobalt, mas para melhorar o consumo a GM adotou controle ativo de entrada de ar ao radiador e outros recursos técnicos. Em estrada com gasolina alcança 13,7 km/l e também nota A pelo Inmetro. Preços subiram em média 2% e vão de R$ 57.990 a 71.990.

EMBORA tardio, há agora um projeto de lei no Senado que restringe o uso obrigatório de faróis baixos ou luzes de uso diurno (DRL, sigla em inglês) a vias rurais asfaltadas apenas, excluindo trechos urbanos de rodovias. Por enquanto, as multas urbanas ficam como estão por decisão arbitrária e ilegal do Denatran, que só adicionou ainda mais confusão ao controvertido tema.

CAMPANHA simpática da área de lubrificantes da Shell para destacar o papel do automóvel na sociedade brasileira. O concurso cultural vai até 26 de setembro e os consumidores devem contar histórias pessoais em que carros são protagonistas centrais. Há três exemplos no site www.shell.com.br/helix-retribua. Os filmes, bem produzidos, merecem ser vistos.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

SEGMENTO EM EXPANSÃO

Tradicionalmente o mercado brasileiro recebe influência do europeu em particular pela preferência por modelos de menores dimensões. O Brasil, no entanto, seguiu alguns caminhos próprios ao criar dois segmentos. Um deles só existe aqui, até hoje: picapes pequenas com capacidade de carga de até quase 700 kg. A pioneira Fiat 147 surgiu em 1978. Outra “criação” nacional foi o SUV compacto derivado de um hatch convencional, ou seja, com estrutura monobloco. O Ford EcoSport estreou em 2003 e só oito anos depois chegou o rival direto, Renault Duster.

O fenômeno de crescimento dos SUVs de todos os tamanhos se iniciou nos EUA. No ano passado, pela primeira vez, americanos compraram mais utilitários esporte que automóveis. Na Europa,

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

KICKS NA HORA CERTA

A Nissan precisava mesmo de algo diferenciado para dar impulso às vendas no Brasil e diminuir a ociosidade da fábrica de Resende (RJ), até agora restrita ao March e ao Versa. A aposta nos SUVs compactos (em cincos anos o segmento passou de 2% para 10% do mercado), com o lançamento em 5 de agosto próximo do Kicks, veio com o produto certo, na hora certa. A marca tem pressa. Vai importar do México pelo menos 3.000 unidades/mês e o carro estará disponível primeiro aqui. No início de 2017 começa a produção brasileira.

O estilo marcantemente rebuscado de um verdadeiro crossover atrai, de fato, a atenção. A frente mostra uma grade cromada em V, faróis avantajados e “assinatura estilística” em LED (não é DRL). O desenho do teto em leve inclinação e a solução da coluna traseira lembram

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

LÍDERES DO SEMESTRE

As estreias de novos produtos levaram ao aumento da competição nas vendas do primeiro semestre. Onix manteve a liderança absoluta (mesmo sem a ajuda do Prisma). Corolla ampliou sua vantagem, pelo menos enquanto os novos Cruze e Civic não começarem a chegar às lojas no segundo semestre. Briga entre os SUVs compactos continua acirrada, mas o HR-V defendeu bem a posição.
Embora o mercado tenha caído 25% em relação a 2015, na amostragem dessa estatística, alguns segmentos sofreram mais.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon


ACORDA BRASIL

A eficiência energética é tema importante e que veio para ficar. Pode-se considerar até uma conquista e o único aspecto merecedor de apoio incondicional do controvertido programa Inovar-Auto implantado no quinquênio 2013-2017. Sua principal consequência está sendo a modernização e o lançamento de motores novos por quase todos os fabricantes de veículos leves no Brasil.
Ainda causa suspense saber quem vai optar pelo bônus para superar

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

RESULTADOS INCERTOS

O conturbado cenário político atual levou à criação de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Pretende investigar o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), mais conhecido como seguro obrigatório.
Criado por lei, em 1974, é confundido com uma taxa. Trata-se, porém,

domingo, 19 de junho de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

DÉCADA PERDIDA

Se a onda de desânimo e falta de confiança de compradores e investidores levaram à penosa situação atual do mercado, alguma luz de esperança começa a surgir para 2017. Esse foi um dos principias indicadores do seminário Revisão das Perspectivas 2016, da AutoData, esta semana em São Paulo.
Até agora nenhum executivo quis se comprometer sobre

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

A FORÇA DE UMA IDEIA

Persistência do povo japonês é conhecida. Que tal ter uma ideia disruptiva, no já longínquo ano de 1997, começar as vendas apenas no Japão e, inicialmente, enfrentar perdas de até US$ 10.000 (R$ 35.000) por unidade comercializada? Pois assim começou a história do híbrido Prius. Apenas 300 unidades no ano de lançamento, quase 18.000 em 1998 e 15.000 em 1999, segundo o site Wikipedia.
O mercado americano parece ter entendido melhor a proposta de combinar um motor a combustão a gasolina e outro elétrico e deu o impulso. Sua aceitação mundial foi crescente e a produção de híbridos de todas as marcas acumula 9,7 milhões de unidades, das quais 5,7 milhões do Prius original somado às quatro derivações de carroceria que nada têm a ver entre si (unidas pelo nome para fins de marketing).
No Brasil o híbrido da Toyota chegou em 2013 e enfrentou taxação elevada. A marca absorveu impostos, desvalorização cambial e conseguiu vender o total de 783 unidades até abril último. Agora, na quarta geração, faz um relançamento do carro, ainda subsidiando seu preço, em versão única, por R$ 119.950. Há incentivos administrativos (isenção do rodízio na cidade de São Paulo), além de descontos no IPI e no IPVA (São Paulo e Rio de Janeiro).
Sua base modular TNGA (arquitetura Toyota de nova geração, em tradução livre) também dará origem ao próximo Corolla, que estreia nos EUA em março de 2017 e um ano depois no Brasil. O novo híbrido tem linhas futurísticas e até ousadas demais na parte traseira. A carroceria ganhou em aerodinâmica (Cx 0,24 inferior apenas ao novo Audi A4, Cx 0,23), ficou 2 cm mais baixa e há sensível melhoria de visibilidade à frente graças à base do para-brisa 7 cm mais próxima do solo.
Espaço interno se assemelha ao do Corolla (igual entre-eixos de 2,70 m), mas o porta-malas é raso e comporta 407 litros, ou 15% menos. Sob o banco traseiro fica a bateria de níquel-hidreto metálico (versão de íons de lítio não será importada). Além de dispensar motor de arranque, caixa de câmbio tradicional e ser bastante econômico (18,9 km/l, cidade; 17 km/l, estrada), o Prius gerencia de forma inteligente a potência combinada de 123 cv dos dois motores. A fábrica afirma que a bateria alcança a mesma vida útil do carro em condições normais de uso.
Como sempre arranca em modo elétrico e o motor a combustão é bem silencioso, cria nova experiência ao volante. Claro, se o motorista acelera fundo, resta ao motor elétrico apenas tirar o automóvel da inércia, porém nesta condição apresenta eficiência bem maior. Ao pisar no freio regenera energia cinética para recarregar a bateria. Efeito de freio motor acentuado pode se selecionar por botão e, em teoria, melhora o consumo médio.
Foi muito fácil chegar a 20 km/l em trechos das vias expressas de Brasília, apesar de a cidade se situar a 1.172 m de altitude, o que diminui a potência do motor de ciclo Atkinson (patenteado em 1882) ideal para fazer par ao elétrico. Suspensões estão calibradas para maior conforto, sem comprometer o comportamento seguro em curvas.
O Prius custa 15% mais que um Corolla Altis, mas a diferença de consumo ajuda quem roda muito.

RODA VIVA

ANFAVEA sinaliza que, consolidados os cinco primeiros meses de 2016, as vendas diárias em torno de 8.000 unidades – já chegou a bater 15.000 veículos/dia há três anos – sinalizam o fundo do poço do mercado interno brasileiro. Até o final do próximo semestre é possível uma pequena reação. Ficará para 2017 o início do longo processo de recuperação do atual pesadelo.
TARDIAMENTE, a associação dos fabricantes revisou suas previsões para 2016. Não mais uma queda de apenas 5% nas vendas e sim de 19% sobre 2015, para 2,080 milhões de veículos. As exportações, com crescimento significativo de 21,5%, ajudarão a amortecer o mergulho da produção para menos 5,5% ou 2,3 milhões de unidades, mesmo nível de 12 anos atrás.
EXPRESSIVA percepção de solidez logo surge ao dirigir um Subaru Outback 4x4. O crossover japonês (mais próximo a uma station wagon) destaca-se ainda pelo motor boxer, 3,6 litros, de grande suavidade e respostas firmes. Sintonia do rádio da central multimídia é confusa e freio de estacionamento eletroassistido só tem funcionamento automático em declives.
FIAT espera um impulso nas vendas mornas do Mobi com a chegada agora às lojas das versões “aventureiras” Way e Way On (topo de linha). Além dos penduricalhos de praxe, o modelo ganhou mais 1,5 cm de altura livre do solo, o que melhora o desempenho das suspensões em pisos esburacados e estradas de terra. Preços de R$ 39.300 a 43.800 devem em competitividade.
APESAR de todas as dificuldades econômicas do País, a XXII edição do Brazil Classics Show, em Araxá (MG), manteve a tradição do encontro bienal de carros antigos do mais alto nível. Vencedor absoluto deste ano é exemplar único e não exibido ao público anteriormente. Trata-se do Lincoln K Coupé Le Baron, de 1936, com motor V-12, de propriedade de Rubio Fernal.
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domingo, 24 de abril de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

CONFLITO DE PREÇOS

Finalmente, o mercado de subcompactos começa a esquentar no Brasil. Espaços mal planejados nas cidades para circular e estacionar, exigências de menor consumo e emissões e muitos carros rodando com no máximo um passageiro além do motorista, justificariam presença menos tímida no total de hatch compactos, de longe o segmento mais importante em vendas.

Por isso a Fiat faz sua aposta no Mobi. O carrinho servirá para atrair pessoas a esse segmento e colocar racionalidade na compra.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon

CICLO DE RENOVAÇÃO

Segmento de picapes médias de cabine dupla é um dos mais rentáveis do mercado por suas dimensões avantajadas, equipamentos oferecidos, motores diesel (muito mais caros) e tração 4x4 com reduzida. Outro “segredo” para esse sucesso é a legislação injusta do IPI. Esses veículos recolhem apenas 8% de imposto simplesmente por terem caçamba, independentemente do motor (diesel ou flex). Um compacto com motor de 1 litro paga 7% de IPI, sem nenhum estímulo por ser flex, como ocorre com motores de 1 a 2 litros (menos 2 p.p.) e acima de 2 litros (menos 5 p.p.).
Os fabricantes partiram para um rápido ciclo de renovação. Em apenas seis meses (de novembro 2015 a maio 2016), quatro lançamentos: Toyota Hilux, Fiat Toro, Ford Ranger (semana passada) e Chevrolet S10 (próximo mês). Ranger 2017 completou a estratégia da marca de ter apenas modelos mundiais produzidos aqui e na Argentina, de onde vem a picape. Isso aconteceu em menos de quatro anos, raro de acontecer entre veículos comerciais leves.
A picape mudou a grade dianteira, faróis, caixas de rodas, mas parte traseira ficou igual. Interessante é o arco bem estilizado atrás do óculo traseiro e discretos racks de teto. “Santantônio” tubular cromado e estribos laterais estão na versão de topo Limited. No habitáculo a Ford caprichou no novo painel, materiais de acabamento, volante multitecla, quadro de instrumentos parcialmente reconfigurável, além de uma tela multimídia central de 8 pol. e interface Sync 2 (não permite espelhamento do telefone).
Ranger ganhou em segurança ativa (ESC) e passiva (sete airbags, incluído o de joelho para o motorista), tudo de série. E oferece recursos eletrônicos como controle de velocidade adaptativo e assistente de manutenção de faixa de rolagem, mais comuns em automóveis. Oferece câmera de ré, controle eletrônico de farol alto e sensores de distância dianteiros e traseiros.
Adotou direção eletroassistida em todas as versões para ajudar na redução de consumo de combustível de até 15% para os três motores disponíveis, segundo o fabricante. Motor flex dispensa gasolina para partida em dias frios. Há novos coxins de cabine e para as unidades motrizes Diesel, mas a dirigibilidade em pisos irregulares ainda perde, por pouco, para Hilux e Amarok, na avaliação preliminar em estrada e fora dela, em Puerto Iguazu, Argentina.
No total são 10 versões – todas de cabine dupla –, tração 4x2 e 4x4 (nesse caso sempre Diesel), câmbios manual e automático para cobrir praticamente todos os nichos deste segmento. Preços vão de R$ 99.500 (XLS, flex) a R$ 179.900 (Limited, Diesel). Primeira picape com cinco anos de garantia, a Ford finalmente eliminou a troca de óleo semestral, agora a cada ano ou 10.000 km.

RODA VIVA

HYUNDAI amplia sua oferta de motores com o três-cilindros, de 1 litro, agora turboflex. HB20 é o primeiro entre os compactos, tanto na versão hatch quanto sedã, já que o up! TSI é um subcompacto e o Fiesta EcoBoost só chega no próximo mês. Números de potência e torque – 105 cv (etanol) e 15 kgf.m – são semelhantes ao modelo da VW que, no entanto, tem 12% a mais de torque.
HB20 turboflex oferece câmbio manual de seis marchas (cinco na versão aspirada) e assim garante duplo A no programa de aferição de consumo do Inmetro/Conpet. Como é maior e mais pesado que o up! suas respostas ao acelerador são um pouco mais lentas. Custa R$ 3.700 a mais, posição intermediária de preço entre as atuais motorizações de 1 L e 1,6 L (quatro cilindros).
SOBRE a discussão em torno do preço dos combustíveis no mercado interno, não basta apenas consultar o preço em bolsa e converter para reais. O que o consumidor paga na bomba abrange fretes terrestres e marítimos, seguros e outras despesas até chegar aqui. Segundo o consultor Plinio Nastari, gasolina está 9% mais barata e o diesel 40% mais caro do que no exterior.
NOVO Audi A4, embora sem grandes mudanças de estilo, cresceu em dimensões internas e externas para ter seu próprio posicionamento em relação ao A3 sedã. Pesa 110 kg menos. Mais aerodinâmica (Cx 0,23), a nona geração ganhou novo motor turbo 2L/190 cv que ao mesmo tempo garante bom desempenho e nota A em consumo (Conpet). No segundo semestre virão motor de 252 cv e tração 4x4.
ARGENTINA voltou ao circuito de novos produtos e de exportações para cá. Confirmada a data de 3 de maio próximo para apresentar à imprensa local o Chevrolet Cruze sedã, segunda geração, com 100 kg a menos que a atual. Vendas começam lá em junho e, no Brasil, após seis meses. Inclui motor 1,4 turbo também produzido em Rosário e a versão hatch para 2017.
MOVIMENTO semelhante faz a FCA ao decidir produzir apenas no país vizinho o sucessor do sedã Linea em 2017. Dessa vez a Fiat tentará acabar com o conflito de dimensões que a deixou sem condições de concorrer entre os sedãs médios-compactos. Fábrica de Córdoba será modernizada e ampliada. Versão hatch deste sedã (novo Palio) continuará em Betim (MG).
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sábado, 9 de abril de 2016

Alta Roda com Fernando Calmon


TRIPLO “A” EM CONSUMO

Palavra de ordem é economia de combustível, a herança mais bem-vinda do controverso programa Inovar-Auto. E nessa verdadeira corrida para beneficiar o consumidor, um passo audacioso acaba de vir do Grupo PSA (antes, PSA Peugeot Citroën). Na linha 2017 do Peugeot 208 estreia o motor de três cilindros de 1,2 litro flex que aparece no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) com nota triplo A, ou seja, é o automóvel de menor consumo de combustível à venda no Brasil (entregas a partir de 1º de maio).
Trata-se de um motor aspirado de última geração e, pode-se afirmar, até melhor que o mesmo Pure Tech, família EB2, produzido na França. Toma o lugar do antigo, de 1.450 cm³, que progressivamente será descontinuado. O Citroën C3 também o receberá em curto prazo. Foi desenvolvido especificamente para o Brasil, com taxa de compressão de 12,5, quatro válvulas por cilindro e duplo comando variável na admissão e escapamento.
Os números falam por si: potência de 84 cv/90 cv (etanol) a 5.750 rpm e torque de 12,2 kgfm/13 kgfm (etanol) a apenas 2.750 rpm. Significa desempenho melhor que o antigo, pois o torque máximo aparece mais rápido e se diminuiu em 25 kg a massa do motor. A diferença nominal para o anterior é de apenas 3 cv e 0,9 kgfm (etanol), imperceptível na prática: torque máximo surgia antes a 3.000 rpm. Além disso, se caracteriza pela suavidade acima dos padrões para uma unidade motriz de três cilindros.
Números de consumo são brilhantes, tanto com etanol quanto gasolina. Em cidade faz 10,9 e 15,1 km/l; na estrada, 11,7 e 16,9 km/l, respectivamente, segundo o PBE. Além de ter uma relação de custo/km no ciclo urbano com etanol mais atraente que outros motores flex, não será difícil superar 20 km/l com gasolina na estrada, na vida real.
Esse novo motor é importado da França e só será nacionalizado quando a produção se tornar rentável, próxima das 100.000 unidades por ano, incluídos os carros exportados. A PSA considera o lançamento um marco na sua história de 15 anos no Brasil. O 208 recebeu leve atualização de linhas para marcar meia-vida desta geração lançada há cinco anos. Grade, para-choque dianteiro, luz diurna, lanterna traseira em LED e sistema multimídia com tela tátil de 7 pol. são as principais mudanças.
Continua a ser um compacto que disponibiliza equipamentos acima da média do mercado. Inclui recursos eletrônicos de série como controle eletrônico de estabilidade (correção de trajetória) e função de assistência em rampas. O acabamento interno também se destaca por materiais agradáveis ao tato no painel.
Os preços, entretanto, se mantiveram: de R$ 48.190 (Active) a R$ 64.590 (Griffe, 1,6 L, flex, 115 cv/122 cv, automático), mesmo com inflação alta. A PSA oferece bônus de R$ 3.000.
Finalmente, chegou a aguardada versão GT. Seu motor turbo de 1.6 L e 173 cv (etanol) é reconhecido pelo alto desempenho e funcionamento suave. Em um carro de apenas 1.196 kg em ordem de marcha, acelerar de 0 a 100 km/h em 7,6 s o coloca em posição de superioridade frente aos concorrentes, embora disponível apenas com câmbio manual de seis marchas. Preço de R$ 78.990 limitará a venda entre 5% e 10% do total da linha.

RODA VIVA

APESAR de estar confirmado para o segundo semestre a estreia do motor Renault de três cilindros/1,0 L no Sandero e também no inteiramente novo subcompacto Kwid, a marca francesa ainda avalia se vale a pena oferecer o de 0,8 L com o qual foi lançado na Índia em setembro do ano passado. Diferenças de preço e de consumo de combustível seriam insignificantes.
FINALMENTE o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo terá um local digno para importância do maior evento da América Latina organizado por empresa particular. Antecipado por esta coluna em outubro de 2014, estão previstos mais de 750.000 visitantes entre 10 e 20 de novembro próximos. A Reed-Alcântara espera até 36 marcas e 90 expositores.
SÃO PAULO Expo inclui novo pavilhão de 90.000 m² (10% maior que o Anhembi), climatizado, estacionamento coberto para 4.500 veículos, duas pistas de testes, praça de alimentação para 600 pessoas e várias possibilidades de acesso. A área, a ser inaugurada no próximo dia 26, está sob administração do grupo francês GL, que investiu R$ 400 mi no empreendimento.
CITROËN lança o plano de revisões periódicas a R$ 1,00 por dia (R$ 365,00) para os três primeiros anos (ou 10.000/20.000/30.000 km), válido para o recente Aircross e C3 ano-modelo 2017 (estreia do motor de três cilindros). Renault adotou a mesma estratégia ao apresentar o Logan em 2007. Nove anos depois, é como se não tivesse havido inflação...
DEPOIS de quatro anos de trabalho duro e superando obstáculos, o diretor Dino Dragone concluiu o filme-documentário Nutz, de 77 minutos. O melhor sobre o tema “Os brasileiros e seus carros antigos – histórias de loucura e paixão”. Pré-estreia foi em São Paulo, no Box 54. Ideia é exibir em circuitos culturais e futuramente estar disponível também em DVD.
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Alta Roda com Fernando Calmon


AJUDA EM BOA HORA

A forte queda de vendas de veículos novos este ano, que ficará entre 22% e 25% em relação a 2014, não se deve apenas ao clima de insegurança gerada pelas crises política e econômica (uma autoalimenta a outra). Veio também de uma conjugação de fatores herdada de tempos recentes. Da mesma forma que os financiamentos foram facilitados nos tempos de aumento de poder aquisitivo, agora estão mais restritos mesmo para aqueles que aparentemente oferecem baixo risco para bancos e instituições de crédito.

Os erros cometidos na condução da macroeconomia ao longo dos últimos cinco anos, mais ou cedo ou mais tarde acabariam se refletindo em forma de aumento de inflação e aprofundamento da recessão. Sustentar vendas por meio de reduções temporárias de impostos se esgotou. Cria o indesejável efeito sanfona. As indústrias automobilística e de eletrodomésticos demoraram a perceber que o movimento de antecipação de compras cobraria alto ônus adiante. Ninguém pensou que ia dar errado, mas deu.

O consumidor reagiu indo em direção ao carro seminovo, assim considerado aqueles com até três anos de uso. Seu preço ficou atraente porque a desvalorização normal se deu a partir da referência de IPI reduzido e de antes do aumento de custos com os itens de segurança obrigatórios (airbags e ABS). No primeiro semestre deste ano pela primeira vez o número de veículos seminovos financiados ultrapassou o de novos.

Neste fim de 2015, porém, essa válvula de escape travou. Em outubro, a venda total de seminovos, usados jovens (quatro a sete anos), usados veteranos (oito a onze anos) e velhinhos (12 anos ou mais) recuou 9% em relação a setembro. É possível que a única boa notícia do ano – comercialização de usados em alta sobre 2014 – nem se confirme.

Ajudaria a oxigenar o mercado se o sistema de consórcio fosse alterado. O estoque de cotas contempladas sem que o consorciado retire o bem para o qual se inscreveu acaba gerando distorções. No passado havia um prazo de três meses para o interessado decidir o que comprar. Essa obrigatoriedade foi revogada em tempos de congelamento de preços, há 20 anos, quando um carro usado chegou a ser mais caro que um novo em razão de planos econômicos heterodoxos sempre fracassados.

O consórcio hoje se tornou mais um instrumento de poupança paralela, sem nenhuma ação de equilíbrio entre tempos bons e bicudos da produção de bens. Não comprar nada significa um bom investimento com correção garantida e baixo risco. Por isso bancos de varejo passaram a atuar neste segmento de olho na polpuda taxa de administração.

Devolver uma cota contemplada, depois de noventa dias, para uma nova rodada de sorteio e lance pode melhorar sensivelmente a mecânica de funcionamento de consórcios. Se alguém não está com pressa ou não pode comprar no momento o seu veículo novo ou usado, que ceda a vez a outro que aguarda a oportunidade muitas vezes com ansiedade para ter acesso ao bem. O direito do consorciado que abriu mão de sua contemplação seria naturalmente restabelecido, pois voltaria a concorrer em novo sorteio.

Uma mudança da regra atual poderia aquecer a economia, sem gerar efeitos colaterais ruins no combate à inflação.

RODA VIVA

PRIMEIRA renovação em cinco anos do Citroën Aircross, principalmente grade e faróis, acrescentou versão de entrada por R$ 49.990 sem estepe externo. Conforme esta coluna adiantou, o monovolume C3 Picasso parou. Motor flex de 1,5 L/93 cv (etanol) ainda mantém partida a frio auxiliada por gasolina. Com motor de 1.6 L/122 cv e câmbio automático sai a R$ 58.900.
AIRCROSS evoluiu em economia de combustível porque está até 45 kg mais leve, utiliza agora direção eletroassistida, pneus verdes e diferencial alongado em 5% para alcançar nota A no programa de etiquetagem veicular. Tela multimídia de 7 pol. e câmera de ré estão na versão de topo por R$ 69.290. Suspensões recalibradas melhoram a dirigibilidade e o conforto de marcha.
OITAVA geração do Passat acaba de chegar. Estilo segue a escola evolutiva da marca, porém sua estrutura está mais rígida. Motor de 2 litros, turbo, sistema de injeção dupla, 220 cv/35  ,7 kgf.m e câmbio automatizado de 6 marchas formam um conjunto instigante e eficiente. Bom espaço atrás. Impostos empurram preço para R$ 144.500.
PERUA Mini Clubman Cooper S é pouco fotogênica. Precisa ser vista ao vivo para se mudar de opinião e entender sua proposta alternativa aos SUVs e crossovers atuais. Dimensões internas estão entre os pontos altos, mas o porta-malas de 360 litros fica no limite do aceitável. Motor 2-litros turbo de 192 cv garante agilidade. Suspensão é dura como o preço de R$ 179.950.
ENTRE as surpreendentes mudanças de comportamento no mercado brasileiro está a escolha do câmbio automático. Peugeot, em campanha por tempo limitado, oferece essa opção sem custo, equivalente a um desconto em torno de R$ 4.000. No site de classificados Webmotors a oferta de veículos com câmbio automático cresceu 30% em um ano.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Alta Roda com Fernando Calmon


OPORTUNIDADE PERDIDA

A 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, realizada semana passada em Brasília, foi meritória por reunir experiências nesse tema tão complicado ao redor do mundo. Acima de tudo, ficaram registradas assimetrias por todos os lados dadas as diferenças culturais, de mentalidade e de desenvolvimento econômico entre os países.

O documento final, denominado de Projeto de Declaração de Brasília, é muito longo e burocrático. Só a introdução inclui 31 tópicos, seguidos por mais 30 itens de ações recomendadas para “fortalecer o gerenciamento de segurança no trânsito e aprimorar a legislação e a fiscalização”. Além do conteúdo repetitivo, algumas organizações internacionais, na ânsia de se destacar, forçaram sugestões difíceis de aceitar dentro do bom senso. Optaram por pecar pelo excesso e pintam um quadro ainda mais sinistro.

Ninguém sabe ao certo quantas pessoas morrem em acidentes terrestres. Estatísticas são, de fato, precárias entre outras razões por exigir dinheiro e coordenação, raros em países pobres e até emergentes. O número em voga chega a 1,25 milhão de mortes/ano, porém o mundo tem 7 bilhões de pedestres permanentes ou eventuais, 1,2 bilhão de veículos motorizados de quatro ou mais rodas e bem além disso entre motocicletas e bicicletas. As distâncias percorridas são descomunais, mas quem leva em conta? Nos países desenvolvidos e de média força econômica os mortos registrados representam cerca de 120.000/ano (10% do total).

O governo brasileiro anunciou, finalmente, sua adesão “em pouco tempo” ao protocolo WP.29, o Fórum Mundial para a Harmonização dos Regulamentos Veiculares, da ONU. Desde 1952 há tentativas, com maior ou menor sucesso, de coordenar os esforços de vários países em melhorar segurança veicular, emissões, eficiência energética e até dispositivos antifurto. O desastrado projeto de rastreadores no Brasil teria sido evitado sob o WP.29, fora outros desmandos.

No entanto, a obrigatoriedade do sistema eletrônico de estabilidade (ESC, sigla em inglês) ainda está em “fase final de discussão”, segundo o ministério das Cidades. Previsão de anúncio para todos os automóveis é o final deste ano, com prazo até 2020. Perdeu-se, assim, a oportunidade de algum protagonismo do Brasil na conferência, pois dificilmente cumprirá a meta de redução pela metade do número de mortes, depois de o País ter aderido à Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020, outra campanha da ONU. O ministério também acenou que iniciará, “em breve”, estudos para implantar algum sistema de frenagem autônoma.

A organização Global NCAP lançou a iniciativa de âmbito mundial Stop the crash (em tradução livre, Basta de acidentes). Além do ESC e do ABS para motos, preconiza três níveis de frenagem emergencial a fim de evitar colisões em cidade e estrada, além de atropelamento em baixa velocidade (o mais comum). Cada acionamento automático de freio tem custo diferente, mas o conjunto deles ficaria mais barato de implantar, se houvesse adoção simultânea em muitos países. Também sugeriu sistema de monitoração da pressão de pneus, defendido por essa coluna por sua atraente relação custo-benefício.

RODA VIVA

APESAR de manter o nome Captur, o crossover médio-compacto que a Renault produzirá na fábrica paranaense nada tem a ver com o produto original, concorrente do Peugeot 2008, à exceção de sutis traços de estilo. Estrutura é o da família Logan/Sandero/Duster/Oroch e as dimensões internas permitem até sete pessoas. Lançamento previsto para daqui a um ano.

NOVEMBRO marca os 40 anos de criação do Proálcool, o pioneiro programa de combustível renovável que ajudou o País a atravessar o segundo e mais grave choque do petróleo nos anos 1980. Atualmente os EUA produzem mais etanol que o Brasil, mas no uso em motores flex continuamos bem à frente. Essa tecnologia é oferecida por 19 marcas e cobre 90% do mercado.

NADA como a boa concorrência. EcoSport com  motor de 1,6 litro mais potente (131 cv) e câmbio automatizado de duas embreagens, a preço competitivo na faixa do HR-V e do Renegade, pode ganhar fôlego até chegar a reestilização em 2016. Câmbio de seis marchas em algumas situações fica mais lento nas trocas, mas no geral o nível de conforto oferecido é bom.

MECANISMO fiscal de substituição tributária do ICMS (uma aberração brasileira) até funciona em tempos de vendas boas para evitar sonegação. Mas, em situações extremamente difíceis como a atual, é um fator que segura descontos legítimos de preços. Afinal, não dá para recolher impostos sobre uma base alta fictícia imposta pelos Estados. Todos saem perdendo.

MODISMO de estepe externo pendurado na tampa de modelos aventureiros e pseudoaventureiros está em paulatino recuo. Além do custo maior, estética discutível e eventuais danos a outros carros em manobras de estacionamento há ainda o peso extra de reforços estruturais e aerodinâmica prejudicada. Em tempos de economia de combustível é tudo o que não se quer.
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sábado, 18 de abril de 2015

Alta Roda com Fernando Calmon


PEUGEOT 2008 PEDE PASSAGEM

A verdadeira invasão de SUVs compactos e crossovers no mercado – três modelos novos em menos de um mês – certamente terá impacto em outros segmentos. Na realidade, acrescentando outros dois nacionais (Ford EcoSport e Renault Duster) e importados como Chevrolet Tracker e Suzuki S-Cross, além dos chineses, haverá mudanças até certo ponto radicais.

Stations e monovolumes pequenos serão ainda mais atingidos, mas os próprios hatches e sedãs, tantos os compactos como os médios-compactos, perderão participação. O mercado está ávido por modelos com maior altura livre do solo e inspirados no modo “aventureiro”. Um fenômeno mundial, sem explicações racionais, em tempos de economia de combustível e preocupações com gás carbônico (CO2). Veículos mais pesados e altos vão na contramão do viés de “salvar o planeta”.

O 2008 é um típico crossover sem possibilidade de tração 4x4 e nem mesmo versão de entrada. Peugeot assumiu que o público prefere modelos completos e abandonou pacotes de opcionais. É o produto mais em conta (à exceção do Duster) ao partir de R$ 67.900 (Allure) e chegar a R$ 79.590 (Griffe). Como referência, um Jeep Renegade Trailhawk a diesel 4x4 automático, com tudo que tem direito, pode passar de R$ 140.000, se aparecer comprador disposto.

Em estudo meticuloso a marca francesa fez comparações com os concorrentes, inclusive precificando itens que estes dispõem e o 2008, não. Na planilha apresentada no lançamento sempre apareceu com menor preço em versões equivalentes, mas faltaram alguns itens como superfícies de plástico suave entre aqueles visíveis e suspensões independentes nas quatro rodas, entre os poucos visíveis. Também não se justifica eliminar encaixes Isofix (originais) para bancos infantis por uma diferença de R$ 100. Em manobras há avisos sonoros, mas é melhor câmera de ré.

Entre características bastante apreciáveis estão menor diâmetro do volante, o que permite leitura do quadro de instrumentos por cima dele e o teto panorâmico de vidro (Griffe somente). Tela multimídia colorida de 7 pol. inclui aplicativo para telefones inteligentes com funções extras. Porta-malas de 355 litros é maior em relação a EcoSport e Renegade, mas perde para os do Honda HR-V e Duster.

A engenharia fez um belo trabalho nas suspensões para conciliar estabilidade e um vão livre de 20 cm. Equipado com o primeiro motor turboflex – THP de 173 cv e 24,5 kgfm – em modelos pequenos (antes do up! que chega dentro de um mês), o 2008 Griffe faz jus ao título dessa Coluna. Por ser relativamente leve, pede passagem até a carros maiores: acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,1 s com câmbio manual de seis marchas. Há quatro modos de assistência à tração nesta versão mais cara, suficientes para uso leve fora-de-estrada.

A Peugeot garante que não há espaço físico para um câmbio automático de seis marchas no seu modelo de topo. Mas fontes asseguram que o de quatro marchas será totalmente substituído pelo de seis, já em 2016, em todos os compactos tanto da Peugeot quanto da Citroën, inclusive no motor aspirado de 1,6 L/122 cv. O câmbio automático atual foi recalibrado, tem modo econômico, mas deixa a desejar embora vá representar 70% das vendas, segundo prevê o fabricante.

RODA VIVA

LAND ROVER guarda uma surpresa para o início de 2016, quando inaugura fábrica de Itatiaia (RJ). Conforme a Coluna adiantou, o primeiro modelo a entrar em produção é o Range Rover Evoque, atualmente o mais vendido da marca no Brasil e no mundo. Alguns meses depois chegará a vez do Discovery Sport. Venda começa agora, importado da Inglaterra.

ANFAVEA assumiu que, pelas condições atuais da economia, os números de produção (com impacto direto sobre empregos), vendas e exportações em 2015 serão (bem) piores do que previa. Agora admite queda de 10% e 13,2%, respectivamente, para os dois primeiros indicadores. Restou apenas um dado positivo: mais 1,1% nas exportações.

ESTOQUES totais (fábricas e concessionárias) caíram de 50 dias em fevereiro para 46 em março, ainda em torno de 50% acima do ideal. Sindipeças prevê declínio de 11,5% no faturamento nominal de seus cerca de 500 associados. Durante a feira Automec, só setores de peças de reposição e manutenção confiavam na grande frota circulante para sopro de otimismo.

EXISTE equilíbrio de vendas entre versões do Cruze: 52%, sedã e 48%, hatch (Sport6). Em termos de câmbio, automáticos estão em 80% dos hatches e nada menos que 95% dos sedãs. Aperfeiçoamentos no automático aparecem claramente no uso cotidiano, em cidade ou estrada. Ambos muito agradáveis de guiar, mas suportes laterais dos assentos dos bancos dianteiros são duros.

INMETRO anunciará nos próximos dias a extensão do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) a veículos leves a diesel. Picapes e SUVs de todos os portes terão índices de consumo de combustível para compradores conhecerem os mais econômicos. A GM deve, finalmente, readerir ao PBE, embora não 100% de seus modelos, o que só acontecerá em 2018.

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Alta Roda com Fernando Calmon


FALTA DE CONFIANÇA

A grande indagação durante o VI Fórum da Indústria Automobilística, organizado pelo grupo de comunicação Automotive Business, em São Paulo foi por quanto tempo o cenário atual de retração persistirá. Apesar do primeiro trimestre desastroso, sem dúvida haverá uma reação no restante do ano que servirá apenas para mitigar a projeção de queda anual.

No primeiro trimestre as vendas acumuladas de veículos leves e pesados recuaram 17%,

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Alta Roda com Fernando Calmon

CONVIVÊNCIA PACÍFICA

Magnetismo das novidades e clima de festa dos salões de automóveis algumas vezes deixam de lado boas discussões em torno do tema do momento, a mobilidade urbana. O salão recém-encerrado em São Paulo não foi exceção. Organizado em paralelo à exposição, o Fórum Presente e Futuro da Indústria Automobilística teve boas palestras e, em particular, um estudo inédito da Anfavea sobre a evolução do mercado brasileiro nos próximos 20 anos. Em geral, as projeções se limitam a um horizonte de cinco a dez anos.

Segundo a entidade, nossa taxa de motorização de 5 habitantes por veículos este ano evoluirá para 2,4 habitantes por veículo em 2034 (cenário otimista, 2,1; pessimista, 2,7). A frota real hoje, excluídos veículos de duas rodas, é de 40 milhões de unidades (esqueça números do Denatran, que desconhece sucateamento). Em duas décadas terá mais que dobrado para 95 milhões de veículos (otimista, 106 milhões; pessimista, 85 milhões). Como referência, os EUA com extensão territorial contínua (sem Alasca e Havaí) pouco menor do que o Brasil têm frota atual de 250 milhões.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Alta Roda com Fernando Calmon


NÃO É PARA ESQUECER

O Salão do Automóvel de São Paulo, que se encerra no dia 9 deste mês, surpreende pelo conjunto da obra. São vários lançamentos, nacionais e importados, mas com diferentes graus de importância que, somados, tornam essa edição uma das melhores da história. A rigor, um modelo se destacou por significar a reestreia de uma marca tradicional, que já produziu no Nordeste brasileiro há mais de cinco décadas, e volta para a mesma região com fábrica muito maior. O Jeep Renegade é nova referência entre os utilitários esporte compactos pela ampla gama prometida que inclui câmbio automático de nove marchas, motor diesel, assistente de estacionamento e teto solar removível.

sábado, 1 de novembro de 2014

Alta Roda com Fernando Calmon


ESCARAMUÇAS NÃO AJUDAM

Um manto de incertezas cobre o setor de etanol no Brasil depois do resultado da eleição presidencial. O problema maior é que o próprio partido no poder tem posições ambíguas ou mesmo opostas. No governo Lula houve certo deslumbramento e no de Dilma quase uma condenação ao esquecimento. Em meio a isso, a descoberta de petróleo em grande quantidade em águas profundas e bem longe da costa. Parecia o tiro de misericórdia sobre o combustível alternativo, renovável e incomparavelmente neutro em termos de emissão de gás carbônico (CO2), quando se considera o ciclo fechado da produção ao consumo.

O fato é que etanol hidratado (uso direto) e anidro (em mistura com gasolina) já chegaram a responder juntos por mais de metade do consumo de combustível em motores de ciclo Otto no Brasil. Hoje, apenas 33%. Na esteira dessa queda cerca de 70 das 440 usinas do País encerraram atividades e 100.000 empregos diretos se perderam (em parte devido à mecanização da colheita de cana). Para quem se preocupa com problemas sociais está aí um deles.