TIRO CERTEIRO
Quando este colunista esteve em Nova York (EUA), em julho do
ano passado, para a prévia mundial do BMW i3, já se sabia que a marca alemã
seria a primeira a vender um carro elétrico no Brasil. Decisão ousada, pois a
estimativa publicada na coluna era de que custaria em torno de US$ 100.000, ou
R$ 230.000, o que se confirmou. Outros modelos elétricos, Nissan Leaf e alguns
da Renault, circulam em pequenas frotas cativas. Os fabricantes ainda esperam redução
de impostos que cortariam os preços no mínimo em 35%, mas a decisão só deve ser
anunciada depois das eleições.
Não se pode dizer que o incentivo atual é zero. Na cidade de
São Paulo, onde se espera vender no mínimo um terço do lote inicial de 100 unidades,
qualquer elétrico puro está isento do rodízio municipal pelo final de placa.
Outras sete capitais também terão o carro à venda. A BMW acertou em trazer
apenas a versão REX do i3, que inclui um motor a combustão bicilíndrico (34 cv),
de um scooter da mesma marca, para, via um gerador, carregar a bateria e
estender a autonomia. Essa é uma forma de diminuir a insegurança do motorista,
se não encontrar tomada por perto.
Ao contrário do Chevrolet Volt, híbrido plugável que não se
adquire sem o motor a combustão, o i3 tem a versão comum – cerca de 10% mais
barata, apenas com bateria de íon de lítio – cuja autonomia varia de 160 a 200 km (nesse caso sem usar
o ar-condicionado). A decisão de colocar um tanque de gasolina de apenas nove
litros foi resposta à legislação de alguns países que restringem incentivo
fiscal se a autonomia com combustível fóssil ultrapassar a da puramente
elétrica. Híbridos a gasolina plugáveis permitem distâncias 10 ou mais vezes
superior à conseguida com a bateria.
A chegada do compacto i3 ao Brasil coincide com o início da
produção, em poucos dias, da fábrica catarinense da BMW. Automóvel elétrico
desperta curiosidade por aqui e, assim, a marca espera o benefício de imagem
tecnológica. Afinal, esse é um carro projetado desde o início para máxima
eficiência. Estrutura monobloco bastante leve une compósitos de fibra de
carbono e alumínio, sem coluna B (central) e portas traseiras de abertura
reversa. Até pneus têm diâmetro e largura específicos para aproveitar a
característica do motor elétrico de entregar torque máximo instantâneo. Motor
de 170 cv permite acelerações de 0
a 60
km/h em apenas 3,9 s (bem melhor do que carros comuns),
o que o faz extremamente ágil em uso urbano. Velocidade máxima limitada a 150 km/h preserva
autonomia.
Interior é espaçoso para quatro passageiros (capacidade
homologada) e o porta-malas de 260 litros alinha-se ao de compactos
tradicionais. O assoalho plano permite que motorista saia pela porta dianteira
do lado direito com facilidade, especialmente útil em cidade e estacionamentos
apertados. Também interessante é a conectividade a bordo bem superior ao
convencional.
A BMW, com marketing correto e tiro certeiro, está vendendo
i3 dentro da capacidade inicial de 40.000 unidades/ano, sem perder dinheiro,
enquanto a Nissan acaba de anunciar a desaceleração da produção própria de
baterias pela dificuldade do Leaf em decolar no mercado.
